No passeio KTM SRMOTO que tive o privilégio de participar no papél de convidado, foi-me cedido uma KTM LC4 640 Adventure, que acho ser do ano de 2004, a qual foi a minha fiél companheira durante todo o passeio.
Seria injusto da minha parte não falar aqui neste espaço de uma forma mais pormenorizada acerca deste modelo da KTM, o qual tive a oportunidade de testar durante todo o passeio e extrair algumas conclusões.
Quando cheguei às instalações da SRMOTO e vi a mota mais de perto, verifiquei que a mesma tinha sido alvo de um pequeno “face lift”, nomeadamente uma nova pintura em todos os plástico, passando do anterior cinzento para o preto. Uma cor que favoreceu muito esta mota, contribuindo para uma imagem mais “light” e desportiva.
Mas tenho que confessar uma coisa, quando vi a mota comecei a tirar algumas conclusões, as quais se revelaram precipitadas, ou seja, pensei que a mota não me iria surpreender e tinha sérias dúvidas acerca da performance que o LC4 640 me poderia oferecer. Situação compreensível, pois estava a sair da minha habitual “v-twin” para uma monocilindríca. Mas atenção, esta menina debita qualquer coisa como 55 cv às 7.000 rpm, potência mais que suficiente.
Mas faltava testar este conhecimento na prática.
Antes de partir estive a familiarizar-me com a mota e quando passei a perna por cima da LC4 verifiquei que a mesma era um pouco alta, mas o seu assento estreito facilitava o acesso dos pés ao chão. Por falar em assento, o mesmo era algo duro, lembrando-me que esta não é uma Trail de carácter mototurístico, esta é uma Trail pensada para a aventura e para os “maus caminhos”
A sensação de peso foi algo que me surpreendeu, porque que quando se sai de um “mamute” com mais de 200 kg e se passa para uma “cabra do monte” com 158 kg de peso a seco, a diferença é abismal, mas positivamente. De resto, tudo normal, com os comandos na disposição habitual, um guiador em alumínio do tipo “fat bar” e um paínél de instrumentos com o formato que a KTM já nos habituou, ou seja, de aspecto simples e de leitura rápida, contendo as informações essencias. Nota positiva para o tomada de 12v existente no painél.
Mas já era hora de partir e coloco a LC4 a trabalhar atrvés do arranque eléctrico, tendo esta me brindado com um “braap braap” diferente daquilo que estamos habituados a ouvir em outros monicilindrícos, mais precisamente os de origem Japonesa, ou seja, emitia vários ruídos mecânicos, parecendo que algo estava mal. Mas nada de preocupante, pois esta é uma mecânica típica da KTM e estamos a falar do famoso LC4, com provas de fiabilidade mais que dadas, onde se inclui várias vitórias no Dakar e provas de Supermoto. Acho que o grande culpado destes ruídos “diferentes” é a ponteira de escape de origem que tinha, a qual emite um som nada bonito e revelador das verdadeiras potencialidades desta unidade motoriz. Se fosse minha, o som já seria outro…
Partimos em direcção ao stand de vendas da SRMOTO e nestes primeiros quilómetros verifiquei a grande leveza e maneabilidade desta máquina Austríaca, tendo ficado algo apreensivo com o motor, pois o mesmo revelava sinais de estar algum tempo parado e com falta de umas acelerações valentes, isto é, estava um pouco “amarrado”. Contudo, eu pretendia resolver esta situação
Antes da partida, perdi mais algum tempo a observar os pormenores desta pequena Adventure, onde simplesmente destaco a secção dianteira, de grande isnpiração dakariana e que revela bem as suas origens. Aquela dupla óptica não deixa ninguém indiferente, ou se gosta ou se detesta.
De lado sobressai o enorme depósito de gasolina, com capacidade de 28 litros de gasolina. É caso para dizer que dá para dar a volta à ilha 3 vezes e meia
Após esta pequena pausa partimos para o passeio, tendo eu e o Miranda tomado alguns percursos diferentes do restante pessoal, tal como referi na crónica deste passeio. Os percursos foram muito variados, tendo atravessado estradões, caminhos acidentados, outros mais do tipo trialeiras, alguns mais sinuosos, alguma lama, terra, cascalho e outros percursos simplesmente mais rolantes ou de montanha. Enfim, foram percursos que serviram perfeitamente para testar a LC4 no seu ambiente natura, que é como quem diz “maus caminhos”
Como é óbvio, nos percursos de montanha a LC4 sente-se muito à vontade, negociando as curvas com um enorme à vontade, onde nem o facto de possuir uma jante dianteira de 21 polgadas manchou o seu desempenho. O baixo peso e maneabilidade favorecem muito este aspecto.
Continuando na ciclística, quero destacar as suspensões desta mota, as quais me surpreenderam muito em qualquer um dos pisos que circulei, especialmente a WP dianteira invertida, absorvendo de forma muito eficaz e competente as irregularidades do piso, Por exemplo, apanhamos alguns trilhos com várias lombas em que houve vezes que não dava tempo para abrandar e, para minha surpresa, as suspensões digeriam muito bem o impacto causado pelas lombas, não havendo qualquer instabilidade ou sensação de perigo. A sensação de controle é absoluta e o guiador largo que trás de série contribuem para esta sensação a par da zona do depósito, suficientemente estreita para contribuir para o controle da mota.
No campo da travagem, nada a apontar. Os travões Brembo portaram-se à altura das exigências e revelaram uma boa “mordida”, onde apenas achei que o travão dianteiro tinha um tacto algo brusco, exigindo alguma atenção nas travagens em pisos escorregadios. Uma questão de hábito, mas que poderá causar alguns sustos.
Passando ao motor, nos estradões de Nordeste tive a oportunidade de esticar o monocilindríco, levando-o muitas vezes a velocidades proibitivas e que serviram para o “soltar” e revelar as suas verdadeiras potencialidades e virtudes.
O LC4 após alguns trilhos de verdasca “pura e dura” começou a mostrar a fibra de que é feito, surpreendendo-me positivamente e deixando-me desejoso por mais trilhos. O LC4 sobe de rotação de forma muito progressiva e suave, não causando sustos ou reacções nervosas. Apesar de ser um motor com 640 cc, este está muito domesticado e foi pensado para um utilizador comum, que quer uma mota Trail para uns passeios de grande quilometragem e que não dispensa o factor fiabilidade. Mas a potência está lá, só que surge suavemente, sempre acompanhada por uma caixa de 5 velocidades bem escalonada e uma embraiagem hidráulica da Magura muito eficaz e precisa de acionamento.
Por exemplo, atravessamos a tronqueira a um ritmo frenético, onde puxei pelo LC4 sem dó nem piedade e, este nunca se negou, tendo revelado que tem a potência na faixa de rotação certa e ideal para se explorar a Adventure sem receios. Quando damos por nós, já vamos a médias muito elevadas e só damos conta disto à entrada e saída de curvas, onde não foram raras as vezes que a mesma se atravessou. Sensação espectacular!!!
A título de curiosidade, em algumas estradas de asfalto em que acelerei mais do que devia, o LC4 atingiu velocidades muito interessantes, tendo me levado numa das vezes aos 175 km/h (lidos no painél de instrumentos). Nada mau, mesmo nada mau
No entanto, não há bela sem senão. Apesar de possuir prestações muito boas, este monocilindríco vibra um pouco e transmite estas vibrações para o guiador. Sentes-se perfeitamente as mesmas e à medida que vamos acumulando quilómetros no passeio estas vibrações começam a tornar-se incomodativas e até provocam algum cansaço nas mãos. Contudo, chega a um ponto que nos habituamos e já nem pensamos nelas. Mas até esta situação é normal, pois estamos a falar num motor de um só cilindro de grande capacidade.
Outros pormenores que achei de grande utilidade foi a inclusão de um “kick”, a par de um descompressor. Uma solução tradicional, mas que será de grande utilidade em caso de falha do arranque eléctrico. Por acaso vi-me obrigado a recorrer a esta solução durante o passeio, porque como esta mota estava à muito tempo parada, a bateria estava muito fraca e chegou a um ponto que o arranque eléctrico falhou. Mas “no stress”, aperta-se o descompressor existente junto à embraiagem, dá-se duas “kickadas” suaves e à terceira “kickada” larga-se o descompressor e “voi lá”, o LC4 desperta sem a mínima dificuldade. O sistema de “kick” desta Adventure revelou-se muito eficaz e de simples acionamento, dissipando aqueles mitos de que colocar uma seiscentos a trabalhar através de “kick” é uma carga de trabalhos e muito díficil. Nada mais fácil e eficaz nesta KTM, mesmo com o “kick” do lado esquerdo do motor.
Não me resta muito mais a dizer, mas também posso referir que gostei de verificar a existência de uma protecção de cárter em alumínio e, destaque para as jantes de série, super resistentes aos maus tratos.
Concluo este trabalho acentuando o grande carácter aventureiro desta KTM LC4 640 Adventure, onde se nota perfeitamente as raízes deste modelo, ou seja, em África e a grande experiência da KTM em construir motas divertidas, aventureiras e, acima de tudo, eficazes a todos os níveis. Não é ao acaso que o slogan “Ready to Race” surgiu…
Uma mota que me surpreendeu muito e que ganhou a minha admiração e respeito.
E por fim, uma vez mais o meu agradecimento pessoal e da MotoAzores à SRMOTO, nomeadamente, ao Sr. Victór Rodrigues e Sr. Miguel Sousa, pela oportunidade de rodar com uma mota tão agradável e eficaz quando esta LC4 Adventure. Uma experiência enriquecedora a nível pessoal e a nível de informação disponibilizada por este espaço.
Boas curvas!









































































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