2º e último dia de Lés-a-Lés, de Castelo de Vide a Lagoa 
Para este 2º dia, o cansaço já era algum, fruto dos kms acumulados, que aliados às elevadas temperaturas que se sentiram ao longo do Prólogo e 1º dia, elevaram os níveis de cansaço.
Mas tudo bem, afinal de contas o LAL é uma maratona mototurística e não um passeio até à esquina 
O dia amanheceu, como sempre, muito quente e com um forte sol, como atesta a foto abaixo, tirada da Pousada do Marvão, onde passamos a noite:

Quem se deslocar ao Marvão e precisar de estadia, aconselho esta pousada, pois situa-se numa zona privilegiada e em 2 edíficios do século XIII, com total tranquilidade e beleza paisagística.
Voltando ao LAL, atrasamo-nos um pouco à saída do Marvão, mas nada de especial, e fomo directos para o palanque de saída:

Como sempre, o Ernesto Brochado estava bem disposto e com uma recomendação muito importante para todos os participantes, beber muita, mas mesmo muita água ao longo do dia, pois esperavam-se temperaturas muito elevadas e superiores às do dia anterior.

Camebak com água, mota com gasolina, moral em alta e siga para a estrada 
Partimos de Castelo de Vide, passando por Póvoa e Meadas, que fazem parte do Alto Alentejo e concelho de Castelo de Vide, zonas privilegiadas para férias.
A malta com as motas de outros tempos, sempre prontos para devorar kms

Passagem pela barragem de Póvoa e Meadas, a qual foi a 1ª e maior Hidro-Eléctrica de Portugal, no longínquo ano de 1927.
Por lá passam as águas da Ribeira de Nisa, a mais longa do concelho de Castelo de Vide.

O meu grande companheiro de equipa, o Vítor, sempre bem disposto e ávido por devorar kms

Nesta parte do país, comecei logo a notar algumas diferenças paisagísticas em relação ao às zonas mais a norte, isto é, clima um pouco mais seco, bem como as paisagens e terrenos.
Os kms que se seguiram levaram-nos através de Nisa, bonita vila alentejana, Gavião, Crato e Alter do Chão, que são conhecidos por produzirem cortiça, artesanato e cavalos, bem como enormes herdades.
O calor fazia-se sentir e bem, levando-me a recorrer com mais frequência que o habitual à água que transportava no camelbak. Ainda bem que o trouxe comigo.
O Alentejo estava a revelar-se durinho em termos de temperatura, mas não estávamos dispostos a desistir


Um dos pontos altos para alguns participantes, especialmente os adeptos de aventura, era a entrada na Herdade do Monte Redondo, onde a MotoXplorers realiza os seus cursos de condução fora de estrada, entre outras actividades relacionadas

São 520 hectares particulares e onde nos foi possível rolar 10 kms em terra

Importante, circular devagar, de forma a não fazer pó para quem seguia atrás.
A vontade de acelerar nos belíssimos estradões de terra desta herdade era muita, mas o respeito pelos outros vem primeiro.

Em algumas partes o piso ficava um pouco mole, tornando a condução mais divertida, pelo menos para mim


E um ponto de picagem original, em plena zona de passagem da Ribeira da Seda, que nasce na Serra de S. Mamede, forma a albufeira do Maranhão e as suas águas vão desaguar ao Sorraia.

Arrefeceu um pouco os motores e causou alguns sustos aos mais distraídos, pois o seu piso era mole e irregular.

E pequena paragem junto do pessoal da MotoXplorers, onde nos foi oferecido água fresca.

Foto com o Carlos Azevedo, um dos maiores viajantes nacionais e conhecido pelo seu projecto “Até ao Fim do Mundo“, e instructor da MotoXplorers:

Após esta pequena paragem, seguiram-se mais uns bons kms por percursos fora de estrada, essencialmente de terra batida, alternando com um ou outra parte mais arenosa.


Adorei estes percursos fora de estrada no Alentejom pois sentia que a LC8 estava muito à vontade e estava no seu habitat natural 
Pena foi não podermos rodar a velocidades superiores a 60 km/h, devido ao pó que se levantava, senão a diversão teria sido muita, porque alguns desses estradões ofereciam excelentes condições para rodar sem dó nem piedade o punho direito.

Fiquei fã do Alentejo, especialmente destes percursos, onde surgem muitas rectas como a que se encontra na foto abaixo:

Tenho que vir com mais tempo ao Alentejo 
Seguiu-se uma travessia engraçada, a travessia da Ponte 25 de Abril à escala

Nada disso 
Atravessamos a Ponte de Ervedal, que foi nada mais nada menos que uma espécie de maqueta ou teste à enorme travessia do Tejo.

Foi construída em 1957 pelo Professor Engenheiro Edgar Cardoso, e inicialmente era de madeira, até que um dia um incêncio a danificou, tendo sido reconstruída mais tarde em metal.


E mais um ponto de picagem curioso, com passagem por uma portagem :-)

Cumprimenta-se o Deus e siga em frente para Casa Branca, outra Vila Alentejana.

A manhã estava quase no fim, mas o calor continuava em força, diria abrasador…
Percorremos mais alguns kms por algumas localidades Alentejanas e paramos nos refrescarmos um pouco, ao sabor de um bom gelado e água.
Mas parecia que não produzia qualquer efeito…

Como se o calor não bastasse, tive o azar de ser picado por uma abelha, que por momentos me deixou fulo…
Vá lá que não sou alérgico à picada de abelha e não tive qualquer tipo de inchaço, apenas uma sensação de incómodo.

Passagem por Évora e o Aqueduto Água de Prata, construído entre 1531 e 1537 pelo arquitecto Francisco de Arruda:

E mais uma picagem na tarjeta:

Por esta altura, já apetecia almoçar qualquer coisa, bem como descansar um pouco.
Vidigueira foi o local eleito pela organização para tal.

Mas a entrada em Vidigueira só foi permitida à hora certa de cada equipa…


Vidigueira é um concelho de origem agrícola, onde as hortas. laranjas, vinhas, olivais e campos de cereais fazem deste concelho “Terra dos Gama”.
É também n a Vidigueira que se realiza uma das concentrações Motard mais conhecidas do país, a Concentração da Vidigueira, promovida pelo Grupo Motard da Vidigueira.
O almoço foi servido no relvado junto ao complexo das piscinas:

Esta zona de relvado revelou-se muito acertada, pois as árvores que envolviam esta zona protegia-nos um pouco do sol e do enorme calor que se fazia sentir.
Para almoço, um bom Gaspacho:

O Gaspacho é uma sopa fria, com muito pão, tomate, pimento, alho, oregãos, azeite e vinagre. É um prato geralmente produzido e consumido no verão.
Apesar do seu aspecto invulgar, esta sopa soube-me muito bem 
Talvez a fome tivesse ajudado a saborear melhor esta refeição 
Depois desta paragem bem apetecida, voltamos à estrada, sempre com as temperaturas sem dar tréguas.
A paragem que se seguiu foi nas Ruínas de S. Cucufate, antiga quinta agrícola romana de Vila Áulica, em Vila de Frades.



O calor era tanto, que tivemos que parar algumas vezes para nos refrescar. A Coca Cola nunca soube tão bem

Seguiram-se vários kms de estrada, por vezes pouco entusiasmantes, muito por culpa de várias zonas secas e desprovidas de algum interesse paisagístico.
O Vítor foi sempre o “homem do leme” neste LAL, ou seja, foi sempre ele a marcar o ritmo de deslocação, que se revelou sempre acertado e ao meu gosto. Ainda por cima é adepto de grandes tiradas, tal como eu 
Contudo, surgiram algumas belezas pelo caminho, como os muito campos de girassóis, que ofereciam uma vista muito bonita:

Outra particularidade, foram os enormes olivais, em que chegamos a perder de vista, tal a imensidão dos mesmos:


Hehehehe…, cuidado com este ponto de picagem

O Alentejo foi aquilo que estava à espera, isto é, seco, muito calor, grandes estradões de terra e grandes rectas em asfalto.
Por vezes chegava a ser maçador andar nas enormes rectas de asfalto, faltavam mais algumas curvas para quebrar com a monotonia.
Mas tudo bem, o calor e as enormes rectas não nos iam levar a melhor 
Entramos em Ourique, vila pertencente ao Distrito de Beja, onde já se sentia o cheiro a Algarve e onde tivemos uma paragem mais prolongada para um lanche oferecido.

O pavilhão onde nos serviram o lanche é que não melhorou nada o calor que sentíamos, dado que fazia efeito de estufa e, consequentemente, muito calor

O lanche foi servido pela FMP, com o apoio da BMW, Câmara Municipal de Ourique e Alfredo Horta.
Lanche servido num saco BMW…, esperava não ter nenhuma indigestão

Km a zero e rumo a sul, através de um vale, que exigia alguns cuidados, pois a qualidade do asfalto da estrada N26 não era a melhor, ou seja, com buracos e lombas.

No entanto, a aprtir daqui notou-se uma nova mudança de paisagem, com a mesma a assumir contornos mais verdejantes, tornando-se mais agradável.
Tínhamos definitivamente deixado as paisagens mais áridas do Alentejo, para entrarmos em paisagens mais verdejantes, onde surgiram colinas de pinheiros mansos e sobreiros.
Muito agradável e com as temperaturas a baixarem um pouco.

A malta das Vespas, incansáveis

De inferno não tinha nada

Ok, estávamos em Santa Clara-a-velha, vila pertencente ao concelho de Odemira e que é banhada pelo Rio Mira.


Aqui picamos uma vez mais a tarjeta, mas de uma forma realmente refrescante para nós, ou seja, era preciso entrar no rio para picar a tarjeta

O Vítor ainda se deu ao trabalho de se descalçar e puxar as calças para cima…

Mas não me estava a apetecer ter este trabalho, e fui picar mesmo de calças e botas vestidas.
Fiquei bem mais fresco

E quando pensava que não haviam mais percursos fora de estrada, eis que surgiram mais alguns, já em território Algarvio, que ajudaram a quebrar com a rotina do asfalto e nos pouparam 2 kms

Na próxima paragem esperava-nos um Subida Impossível

Calma, não era para subirmos, mas sim para picar a tarjeta 
É nesta subida que o MC Albufeira realiza á Subida Impossível, única prova do género em Portugal Continental.

Só a título de curiosidade, esta Subida Impossível já foi alcançada pelo multi campeão nacional António Oliveira, bem como pelo seu filho, Luís Oliveira. Filho de peixe sabe nadar

Mas chegamos um pouco cedo, e tivemos que esperar pela nossa hora de picagem, sempre bem dispostos


Seguiu-se a entrada em Silves, terra de mouros e pertencente ao Distrito de Faro

Por esta altura, já se começava a sentir que o LAL estava a acabar, e com ele uma grande aventura.
Contudo, não valia a pena ficar nostálgico, pelo menos para já, mas sim aproveitar ao máximo os kms que restavam.
Paramos no Sítio das Fontes, concelho de Lagoa, e recebemos mais algumas águas para refrescar.

O Sítio das Fontes, é um Parque Municipal, que se situa na margem de um esteiro do Arade, perto de Estombar, e possui várias nascentes que brotam do maior lençol freático algarvio, conhecido por Lias-Dodger ou Querença-Silves.
Uma zona muito apetecível para se passar um dia agradável.


Travessia do Rio Arade através de ponte, já em final de tarde:

E como não podia deixar de acontecer, picagem num ponto de venda do principal patrocinador do LAL, a Moviflor, em Portimão.

Uma vez mais chegamos adiantados, e tivemos que esperar uns 40 minutos…
Picagem feita, seguiram-se alguns kms por várias zonas de Portimão, incluindo zonas mais turísticas, e onde tivemos que ter atenção ao trânsito, que estava cada vez mais intenso.
Já sentia saudades das estradas de montanha…
Um último ponto por onde passamos e picamos a tarjeta, foi o Faról que vigia a foz do Arade:

Km a zero e siga para Carvoeiro, que nos ofereceu uma das últimas vistas bonitas do LAL.

Entramos em Lagoa, onde nos esperava am última subida ao palanque do 13º Portugal de Lés-a-Lés.
Nuno e Ricardo, a 2ª equipa do Clube Motard de São Miguel, igualmente presentes no final deste LAL e sempre bem dispostos.

Eu e o Vítor naturalmente satisfeitos com a nossa participação. O sentimento de missão cumprida era grande.

Últimas fotos…

E foi em ambiente de festa que terminou o 13º Portugal de Lés-a-Lés

Estávamos todos de PARABÉNS pelo feito conseguido, especialmente pelos 961 kms percorridos, muitas vezes sob condições climatéricas adversas (entenda-se muito calor), mas com um percurso muito turístico e que nos permitiu conhecer um pouco melhor este nosso Portugal.

O mosso país é ralmente belo. Valeu a pena cada km percorrido e o maior troféu que poderíamos receber foi a última subida ao palanque.
Se puder, voltarei a repetir esta actividade, garantidamente 
O último almoço do LAL:


Após o jantar, ainda fizemos mais um pequeno esforço e rumamos até Silves para lá passarmos a noite, no Hótel Colina dos Mouros.
Mas a noite ainda nos reservava uma última surpresa, isto é, recebemos a visita da malta do forúm Trail Aventura, nomeadamente do Paulo Lança, Carla Lança, Pedro Neves, João Pais, José Louzeiro e José Martins (não sei o nome das outras senhoras, sorry).

Deslocaram-se de propósito até nós, montados nas suas motas, e ainda ofereceram-nos uma t-shirt alusiva ao fórum 
Foi com muita alegria que conheci pessoalmente esta malta, pois o contacto pessoal é sempre muito diferente do virtual.
Pessoal alegre, brincalhão e simples, tal como gostamos

Pessoal, foi um prazer conhecer-vos pessoalmente, foram uma surpresa muito agradável e confesso que fiquei com muito boa impressão de todos vós.
Agora só falta participar num evento Trail Aventura…
Lança e companhia, apareçam nos Açores, que serão muito bem vindos. Que dizem? 
Até um dia destes

Bem, resta a conclusão deste grande evento que foi o 13º Portugal de Lés-a-Lés 
O 13º Portugal de Lés-a-Lés foi, no meu caso particular, a realização de um sonho, pois já alimentava este sonho à muito tempo, e sentia uma grande vontade de conhecer o país desta forma, ou seja, montado na minha mota.
Portugal Continental é lindo, sem dúvida!
Não faltam belezas naturais, locais históricos, aldeias, concelhos e cidades que merecem a nossa visita, estradas espectaculares, percursos fora de estrada maravilhosos e pessoas muito simpáticas e amáveis.
Adorei, foram momentos especiais e, quem sabe, únicos que vivi nestes dias de LAL, e que certamente me marcaram positivamente e nunca esquecerei.
Por outro lado, o LAL foi um evento que me agradou muito em termos de organização, pois a mesma impressionou-me muito pelo seu empenho e profissionalismo. Por vezes, a confusão de motas era tanta, que chegava a parecer que estava tudo desorganizado, mas não, estava tudo controlado. É como diz o Vítor e bem, é uma desorganização organizada.
O Ernesto Brochado foi a pessoa que mais me impressionou, sempre presente, dedicado, cheio de energia e sempre com palavras simpáticas para todos os participantes. Uma homem com uma enorme paixão por este vento, diria de uma paixão de Lés-a-Lés 
Contudo, não posso deixar de referir o cansaço que este tipo de actividade provoca, não mata, mas mói.
O LAL é uma actividade pensada para quem gosta de mototurismo e, muito importante, para quem gosta muito de andar de mota, pois passam-se muitas horas em cima da mota. Não é só um passeio, é uma maratona.
E a LC8? Portou-se à altura do desafio, sem nunca falhar ou dar sinais de fadiga. Foi uma excelente aliada nesta actividade, pois permitiu-se efrentar todo o tipo de desafios sem qualquer receio e sempre com um elevado grau de diversão. OBRIGADO à SRMOTO pela verificação feita na LC8 antes do LAL. E que seria do LAL sem um bom companheiro de equipa?
Não seria a mesma coisa, garantidamente.
O Vítor foi o meu incansável companheiro de equipa, sempre bem disposto, claro, directo, sempre pronto para devorar kms, com grande sentido de orientação, com grande espírito de camaradagem, enfim, um verdadeiro companheiro de estrada e, principalmente, um grande amigo.
Foi um prazer realizar o LAL na sua companhia, OBRIGADO por teres sido o meu companheiro de equipa 
Um grande OBRIGADO também para o Nuno e Ricardo, os quais nos ajudaram muito. Nas estadias, no Transitário, na alimentação, etc, foram verdadeiros amigos e incansáveis. Até ao próximo LAL! 
Saliento também todas as amizades encontradas e fortalecidas ao longo do LAL, o Filipe Elias, o Nuno Barbosa, o Paulo Lança e companhia, entre outros, que espero reencontrar um dia destes. OBRIGADO a todos pela vossa amizade! 
O meu OBRIGADO também todo o apoio manifestado por familiares, amigos e Clube Motard de São Miguel, pois as vossas energias positivas contribuiram muito para o sucesso deste LAL.
Por fim, o meu GRANDE OBRIGADO à minha cara metade, a Carla, por todo o apoio, entusiasmo e carinho que manifestou desde o inicio.
A Carla foi a pessoa que realmente me incentivou e me motivou a participar no LAL, pois ia adiar o sonho por mais um ano, devido à sua gravidez.
OBRIGADO amor pela tua compreensão e por todo o teu apoio incondicional, foste a chave da realização deste sonho. You’re the best! 
Para terminar, faço votos de voltar a participar num próximo Portugal de Lés-a-Lés.
Boas Curvas! 
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