Desde que comecei com os passeios de carácter mais aventureiro aos comandos da minha Maxi-Trail, tenho descoberto outro tipo de prazeres e outra forma de explorar todo o potencial que este tipo de mota nos oferece, como por exemplo a grande polivalência e possibilidade de tomar percursos fora de estrada.
Este tipo de passeios têm amadurecido a técnica na condução fora de estrada e têm me proporcionado grandes momentos de diversão e, por vezes, fazem-me sonhar com uma possível viagem a, por exemplo, Marrocos ou América do Sul. Países mais que capazes de nos oferecer aventuras sem fim 
Apesar de já possuir uma Maxi-Trail bem preparada para enfrentar percuros “off-road”, a mesma apresenta, ainda, algumas limitações naturais, que já me fizeram poderar várias vezes no tipo de Maxi-Trail ou Trail que poderei adquirir mais tarde.
Depois de já ter pensado tanto neste assunto, cheguei sempre à mesma conclusão, a próxima mota terá que ser mais polivalente, ou seja, uma ciclística mais capaz, porque a nível de motor, a minha V-Strom 650 tem potência de sobra.
Contudo, recentemente desenvolvi um carinho especial por 2 motas de motas, que considero pertencerem a um sub-segmento das Trail e Maxi-Trail e muito interessantes para os percursos dos passeios que o Azores Trail TT costuma a fazer, nomeadamente a BMW HP2 Enduro e a KTM 950 R Super Enduro.
São 2 motas que mais parecem motas de Enduro com motores de grande capacidade, mas que para mim (e para muitos) nada mais são do que descendentes directas das Maxi-Trails, só que com uma ciclística capaz de enfrentar desafios de carácter endurista e um motor capaz de “trepar” tudo e mais alguma coisa.
Começando pela BMW, quando se olha para a HP2 Enduro, ou se adora ou se detesta. Eu Adoro!!!

O seu motor Boxer é uma imagem de marca e não deixa ninguém indiferente. Um motor muito conhecido por possuir uma boa resposta, sempre acompanhada por uma boa sensação de binário. São 1.130 cc, 105 cv às 7.000 rpm e 115 Nm às 5.500 rpm.
Estes valores de potência são mais que suficientes para me fazer delirar

A ciclística é mais que competente e capaz de enfrentar qualquer terreno e, o facto de possuir uma transmissão secundária por veio, deixa qualquer um satisfeito, nem que seja pelo fim dos trabalhos inerentes à manutenção das tradicionais correntes.
Contudo, sempre são 175 kg de peso a seco, mas que não a impedem de atingir velocidades na ordem dos 200 km/h.

Esta “beemer” tem dado a volta à minha cabeça e quando vejo no Youtube vídeos dela, fico a gostar ainda mais dela. É uma super-trail e que oferece várias possibilidade de a tornar ainda mais eficaz e agressiva. O som do Boxer com o Akrapovic é simplesmente divinal!!!

Esta mota já começa a ser muito procurada por vários possuidores de Maxi-Trails, os quais não se fartam de tecer comentários muito positivos, quer à ciclística quer ao motor, apesar da suspensão traseira de série por ar, da Continental, não me agradar muito. Mas isto já é um gosto pessoal.
Um aspecto muito positivo da “beemer”, é o facto de com a montagem do kit da Touratech para viagens de longa distância, podemos conferir a ela uma utilização ainda mais abrangente e sem afectar de forma significativa a sua ergonomia e versatilidade. Um aspecto que me atrai muito…

Vista de frente, o motor Boxer impõe-se:

Passando à KTM 950 R Super Enduro, é impossível não gostar desta mota, quer pela sua agressivdade, quer pelos pregaminhos “Ready to Race” que a regem.

Esta mota da KTM também teve uma grande aceitação e tornou-se uma grande rival da marca Germânica, principalmente no Enduro de Erzberg, prova que ambas as marcas levam muito a sério.
A KTM, efectivamente, é um pouco mais eficaz na hora de enfrentar o fora de estrada, fazendo da sua ciclística a sua grande arma, onde as suspensões WP não deixam margem para dúvidas quanto à sua eficácia. O quadro em treliça já tem provas mais que dadas no campo das maneabilidade, rigidez e distribuição de peso.

Mas o que faz realmente qualquer um delirar aos comandos da Super Enduro, é o seu fantástico bicilindríco, o qual é um poço de sensações, onde os seus 98 cv às 8.500 rpm e 95 Nm às 6.500 rpm são sempre entregues de forma enérgica, fazendo dela um autêntico “canhão”. As performances do seu LC8 são fantásticas e já deixaram a sua marca no segmento das Maxi-Trails. Quem experimente gosta e pede mais! 
Se for uma Super Enduro com uns Akrapovic, ainda melhor!!!

A KTM tem neste modelo a resposta aqueles que procuram uma Maxi-Trail mais “light”, mas sem dispensar um motor de altas prestações.

Da minha parte, é uma mota que me tira do sério e que me tem feito pensar muito. Este modelo não está fora do meu leque de opções para o futuro…

São 2 motas fantásticas e com provas mais que dadas no que diz respeito às suas capacidades no fora de estrada, donas de motores incríveis e capazes de nos levar a qualquer lugar.
Mas é chegada a hora de parar de sonhar e descer à terra 
Apesar de serem 2 motas que se enquadram nas minhas preferências e muito interessantes para os meus passeios, estas possuem determinados aspectos que ainda me deixam “de pé atrás” e me fazem ponderar se realmente são as mais indicadas para mim.
Começando pelo tipo de mota em si, se for para fazer uma viagem, são motas um pouco limitadas, quer em autonomia, quer em capacidade de carga, protecção ao vento, a própria forma como o motor entrega a potência, etc, etc, enfim, o propósito é a diversão e não o “touring”.
É claro que é possível dotar estas motas de peças capazes de as tornar mais aptas às viagens, como o kit Touratech para a BMW HP2 Enduro, mas as limitações continuarão, só que em menor escala, mas é possível.
No entanto, qualquer uma destas motas servia perfeitamente para os meus passeios pela ilha 
Mas existe outros aspectos que me fazem recuar. Começando pelo preço, as 2 motas são propostas a preços algo elevados e que, para mim, são algo proibitivos. Não é que não tenham argumentos que justifique o preço pedido, mas ainda não ganhei nenhum prémio no EuroMilhões… 
Depois há o factor marca, a BMW não possui qualquer ponto de venda e manutenção em São Miguel, tornando a sua escolha um pouco díficil. A KTM tem ponto de venda e manutenção, mas tem um problema, também sou um grande apaixonado pela sua irmã, a 990 Adventure, especialmente a nova versão R de 115 cv. Portanto, uma escolha díficil.
Dito isto, a futura mota ainda é muito incerta e a única certeza que tenho é que pretendo manter-me no trilho da aventura e continuar a explorar a vertente “touring” do fora de estrada. Poderei continuar nas Maxi-Trails, ou poderei mesmo cometer uma loucura e adquirir uma destas 2 “bombas”, quem sabe a laranjinha…
Boas Curvas! 
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