Cada vez que se realiza uma prova de Enduro, há sempre aquela curiosidade natural de no fim-de-semana seguinte realizar um passeio pelo percurso da prova.
Mas nem sempre é possível ou nem sempre conseguimos “atinar” com o percurso todo.
Contudo, a malta que organizou mais uma excelente prova de Enduro, o SRMOTO Arrifes, tinha planeado dar uma voltinha pelo percurso da prova, com o objectivo de recolher as fitas de marcação do percurso.
Uma tarefa extremamente importante, não só em termos de imagem e credebilidade de quem organizou estas provas, mas também em termos ambientais, dado que as fitas são em plástico, material altamente prejudicial ao ambiente.
Além disso, este passeio marcava a estreia de mais um companheiro por trilhos Micaelenses, o César Kini Neves, que se encontra deslocado do Continente.
Felizmente, o César seguiu o meu conselho e trouxe a mota consigo, uma KTM EXC 530.
Portanto, seria um passeio com objectivos ambientais e um passeio de baptismo 
O ponto de encontro foi nos Arrifes, junto à Extreme Cross Test do Enduro SRMOTO Arrifes, tendo comparecido o Abel Carreiro, Paulo Machado, Pedro Soares, Duarte Silva e, claro, Eu e o César.
Não tardou nada até a boa disposição se instalar, muito por culpa do Paulo Machado

Um grupo grande, animado e cheio de vontade de ir fazer umas “canadinhas”

Ora bem, começamos a nossa missão de limpeza primeiramente pelos trilhos dos Arrifes, com o grupo a efectuar a recolha das fitas de forma ordeira e sem se “atropelarem”.

Houve quem fosse mais meticuloso ao retirar as fitas, trazendo um a tesoura. É coisa de profissional, só pode

Infelizmente, as condições meteorológicas não estavam as melhores, com alguma chuva e nevoeiro, mas nada que nos impedisse de concretizar o trabalho, ou mesmo divertirmo-nos.



O Abel tinha uma mochila que funcionava como ecoponto, ou seja, assim que enchíamos os bolsos com fitas, depois colocávamos na sua mochila ecoponto:

Neste passeio conheci alguns trilhos novos nos Arrifes, o que é uma vergonha, tendo em conta que nasci e cresci nesta freguesia.


E chegamos a uma das partes mais divertidas do percurso, trilhos em cascalho na zona da Covoada:


Adoro fazer estes trilhos a subir, pois gosto da sensação que este tipo de piso oferece e exige de nós. Muito divertido!



Grande César, não só estava a ter uma excelente oportunidade de conhecer belos trilhos, como também ajudou-nos na recolha das fitas.


Segundo o César, os nossos trilhos e o seu tipo de piso são muito diferentes daquilo que habitualmente se encontra no Continente, exigindo alguma habituação. Mas, por aquilo que vi ao longo do passeio, O César não só anda muito bem, como também habituou-se rapidamente ao tipo de piso e trilhos.
Na foto abaixo, o César a tentar fazer a espargata

Grande Vítor, às vezes penso que não se cansa, tal o ritmo que conseque imprimir durante o passeio.

Não faltaram árvores para testar a nossa coluna

Alguns fios eléctricos usados pelos lavradores estavam a dar choques, que o diga o Paulo Machado

Uma pausa para relaxar e, na foto, da esquerda para a direita, César Neves, Paulo Machado, Eu e o Vítor.

Mesma foto abaixo, mas desta vez sem mim e com o Pedro Soares:


E baixa outra vez…


Outra das zonas muito divertidas, foi a subida do cascalheiro. Aqui, não tem muito que saber, enrolar o acelerador com decisão e fé em Deus 
Vítor em grande estilo, já no fim da subida do cascalheiro:

Sabe bem quando conseguimos chegar ao topo do cascalheiro

No entanto, não foi à primeira que subi, fruto de asneira, ou seja, ia em 3ª, bem embalado, mas assim que cheguei à última parte da subida, que fica um pouco mais inclinada, a mota começou a percer um pouco de velocidade e, em vez de lhe dar um cheirinho de embraiagem para lhe manter na rotação ideal, reduzi para 2ª e automaticamente perdi mais velocidade e atasquei.
Na altura que atasquei, o César estava a subir e, fiquei de boca aberta com a velocidade dele nesta subida, ou seja, ele voou com a 530. Que mota!!!

Bem, parecia que a subida do cascalheiro era uma das partes que iria exigir mais, mas não, a entrada para a mata a seguir ao cascalheiro estava bem complicadinha, fruto de muita lama tipo barro, regos e muitas irregularidades.
Não foi fácil e foi necessário recorrer a alguma ajuda estra de braços.

O Vítor foi o que menos dificuldade sentiu. Parece-me que as 2 tempos sentiam menos dificuldades…

Pedro Soares a dar-lhe forte no acelerador

Bonito serviço, mas a DR não ficou para trás

O César optou por um atalho, mas também não se safou de alguns trabalhos.
Na foto abaixo, o César estava a testar um novo tipo de marcação para as provas de Enduro da próxima época, ou seja, em vez de se usarem fitas, usam-se motas

Esta zona de entrada na mata cansou um pouco, muito por culpa do piso, que está muito exigente…


E continuamos a nossa subida pela mata:


O César bem que queria seguir em frente, mas a sua 530 tem muita vontade própria

Ops…


Seguiu-se a trialeira das couves, a qual também não foi a coisa mais simples de se fazer.
Aliás, na zona mais empedrada não havia dificuldades de maior, o problema era na zona dos regos em barro.





Engarrafamento???


Aqui, só me lembro do César me dizer, “nos Açores até as pedras escorregam”


Vítor a fazer valer a leveza e agilidade da sua 250 a 2T:



Lá vinha o César, com o seu “canhão”:

Nas couves vale tudo para se conseguir passar nos buracos


Vídeo do César numa parte das couves:
E lá vinha o Abel:

Vídeo do Abel numa parte das couves:
Siga em frente!


Andamos por mais alguns percursos muito próximos das Sete Cidades, e sempre com algum nevoeiro e chuva.



Ainda no regresso, atravessamos a Vigia das Feteiras e acabamos o passeio nos Arrifes.
Abaixo, o momento mais importante e grande objectivo deste passeio, a colocação das fitas recolhidas no contentor do ecoponto.
Missão cumprida!

Ainda passamos pelo percurso da Extreme Cross Test e recolhemos mais algumas fitas. Contudo, fomos abordados por um senhor que, supostamente, usa alguns daqueles terrenos, e nos causou algum incómodo na recolha das fitas, porque simplesmente não queria que o fizéssemos de mota.
Bem, o homem era cá de uma incompreensão, que tirava a paciência a qualquer santo…
A conversa com ele chegou a ficar um pouco mais quente, mas, felizmente, os ânimos acalmaram-se e fomos embora.
Não valia a pena estragar um excelente passeio por causa deste senhor, por sinal alheio ao nosso trabalho e de uma grande incompreensão.
Mas antes de irmos para casa, tivemos que abastecer com gasolina com chumbo

Uma vez mais, muita animação e com o carimbo do Paulo Machado 
E pronto, estava terminado o passeio.
Resumindo, excelente passeio e excelente companhia!
Foi um bom passeio de baptismo para o César, o qual, se não estou em erro, ficou a gostar dos trilhos Micaelenses e quer mais 
Além disso, cumprimos com uma missão muito importante, que foi a recolha das fitas.
Boas Curvas! 
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