Não é novidade para ninguém que nas provas africanas, como o Dakar e outras, as grandes cilindradas foram abolidas.
O desaparecimento das grandes bicilindrícas e das suas cilindradas, que variaram entre os 600 cc e 950 cc, deveu-se, segundo muitos entendidos e organizadores de provas de rali e todo terreno, ao maior perigo que estas representavam, especialmente na maior velocidade atingida pelas mesmas.
O último exemplar a competir ao mais alto nível em provas oficiais, e com vitórias obtidas, foi a monocilindríca KTM 690 Rally, agora relegada para competições não oficiais, dado que também foi vítima desta grande preocupação (ou política) com a segurança dos pilotos. Alguns anos antes, a KTM competiu e venceu com a 950 Rally, com o já desaparecido Meoni (RIP) a voar nas areias de África. Foi a última grande bicilindríca…
É certo que as actuais motas de rali, com apenas 450 cc, representam um acréscimo de segurança, quando pensamos em termos de potência e velocidade.
Contudo, também não é menos verdade que, devido ao menor peso e dimensões destas, os pilotos conseguem andar mais rápidos nos trilhos mais sinuosos e mais enduristas, como se tem visto no Dakar Argentina - Chile.
Mas, se pensarmos no verdadeiro Dakar, à moda antiga, que se realizava no Continente Africano e que se caracterizava pela sua grande dureza, ficamos com a sensação que as 450 cc serão muito sacrificadas, além da falta de mística das mesmas.
Mas fazer o quê se os regulamentos de provas como o Dakar “obrigam” os pilotos de fábrica a correr com esta cilindrada?
Bem, é uma questão que fica para eles e para os especialistas ;-)
Mas ainda há homens de barba rija que se atrevem a competir com as grandes bicilindrícas ![]()
Mais do que corajosos ou bons pilotos, são eles que ainda matêm vivo as provas de rali e todo terreno no formato que tantas gerações entusiasmou e inspirou, mostrando que as motas que foram abolidas ainda são capzes de competir e, que sabe, ainda fazem sentido.
Tudo depende do ponto de vista de cada um, mas da minha parte, uma classe com este tipo de motas faz falta.
Um exemplo destes homens de barba rija, foi um piloto que participou na edição de 2011 do Rali dos Faraós aos comandos de uma KTM 950 ADVENTURE, e que terminou em 18º:
Ainda na edição de 2011 do Rali dos Faraós, o italiano Francesco Catanese participou com uma Yamaha XTZ 1200 Super Ténéré:
É certo que esta mota sofreu muitas modificações, mas não deixa de ser uma mota de grande porte e uma participação “old school”.
Este mesmo piloto, já tinha participado em outras edições do Rali dos Faraós aos comandos de uma Honda XRV 750 Africa Twin:
Uma mota que alguns anos atrás foi a escolha de muitos pilotos, e que também lutou pelas vitórias no Dakar.
Um membro do site Adventure Rider, o Pyndon, conseguiu classificar-se em 3º lugar numa prova de Todo Terreno em Inglaterra, e aos comados de uma KTM 950 ADVENTURE:
Tendo em conta que nesta prova estava presente o antigo Campeão de Enduro de Inglaterra e 7 vezes participante nos ISDE (com 3 medalhas de ouro), o resultado foi muito bom.
Em Portugal também temos homens de barba rija, e que também já provaram em competição a validade destas grandes motas, como o Luís Deus , André Nunes, Rui Romero e o Gustavo Ramos, que participaram no Rali de l’Amitié de 2011:
Participaram aos comandos de uma KTM 950 ADVENTURE, BMW HP2, KTM 990 ADVENTURE e BMW G 650 X.
Chegaram todos ao fim da prova e também provaram que este estas motas foram feitas para isto e muito mais.
Mas acima de tudo, é preciso ter espírito e dedicação.
Abaixo, a KTM 990 ADVENTURE que o Luís Deus levou pela 2ª vez ao Raid de l’Amitié:
Deve dar um prazer muito grande participar numa prova deste tipo, com uma mota destas e chegar ao fim da mesma.
Grandes tugas!
Por fim, de salientar que na edição de 2009 do Raid de l’Amitié, o membro do fórum Nomads, o Casimiro, cometeu a proeza de vencer uma etapa à geral com a sua BMW R 1150 GS.
Notável!
Muito mais se poderia abordar e desenvolver neste post, mas penso que o essencial já foi dito, e a mensagem já foi transmitida.
Da minha parte, quando vejo estes senhores a dar continuidade à participação das grandes bicilindrícas em provas africanas, fico especialmente agradado, porque de alguma forma revejo nestas fotos imagens de um Dakar à muito esquecido, abandonado, e que tantas saudades deixou.
Se hoje em dia temos Trails e Maxi-Trails tão desenvolvidas, mais ou menos polivalentes e com capacidades TT, também devemos a provas como o Dakar, porque impulsionaram uma nova geração e tipo de motas, bem como utilizadores ávidos por aventura e descoberta.
Este espírito de aventura e descoberta encontra-se bem patente não só nas participações destes senhores, como também naqueles que utilizam as Trail e Maxi-Trail como mota de eleição em viagens de aventura.
O Dakar do antigamente acabou, mas o seu legado continua nas mais diversas formas, e isso é o mais importante.
Boas Curvas! ![]()


















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