"Não tento explicar às pessoas porque é que ando de mota.
Para os que compreendem, nenhuma explicação é necessária!
Para os que não compreendem nenhuma explicação é possível…"


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Posts de Julho 10th, 2011

CRÓNICA 13º Portugal de Lés-a-Lés: Parte 3 - 1º Dia: De Mogadouro a Castelo de Vide

Depois do grande entusiasmo que o Prólogo gerou, havia uma natural curiosidade e grande vontade de continuar com o LAL, especialmente agora que o LAL entrava na fase mais a sério, onde nos esperavam muitos kms, mas também muita aventura.
O 1º dia de prova ia nos levar de Mogadouro a Castelo de Vide, num total de, sensívelmente, 500 kms, distância que merece algum respeito, especialmente para nós Açorianos, pouco habituados a percorrer num só dia distâncias deste género.
Mas nada a temer, afinal de contas não faltava muita vontade e entusiasmo de seguir em frente :-)
O dia, uma vez mais, amanheceu muito quente, indicando que o calor ia ser muito ao longo do dia, sendo importante não esquecer beber muita água. Ainda bem que trouxe o camelbak.
Partida de Castelo de Vide, com oferta de pequeno almoço volante:

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Ora bem, após o pequeno almoço, fizemo-nos à estrada, seguindo o precioso “road book“, o qual era muito claro, isto é, indicava que não valia a pena imprimir um ritmo rápido e com pressa de chegar ao fim ou aos pontos de picagem, pois ia haver durante o LAL um controlo rigoroso da hora de entrada/picagem de cada equipa e, quem se adiantasse, não iria receber a picagem na tarjeta.
O mais importante era manter um ritmo calmo e descontraído, e aproveitar ao máximo cada km e cada cantinho de Portugal que o LAL vai revelando. Uma filosofia acertada e bem dentro do espírito do mototurismo.
Os primeiros kms deste 1º dia estavam a ser muito agradáveis, com um estrada excelente a abrilhantar este começo :-)

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Nuno e Ricardo sempre com a disposição em alta :-)

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O percurso estva a levar-nos em direcção a AlfÂndega da Fé, através do Vale Sabor, onde fizemos uma paragem obrigatória para apreciar a beleza paisagística desta zona de montanha, que é atravessada pelo Rio Sabor.

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Segundo a organização, era para se ter realizado nesta zona uma travessia a vau do Sabor no Sto. Antão da Barca, mas que não foi possível devido ao limo na pedra rolada. Fica para outra edição…

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Continuamos a rumar até Alfândega da Fé, apreciando as várias localidades e  estradas por onde passavamos, como as aldeias de Sendim da Ribeira e dos Cerejais no cume das colinas.

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Chegados a Alfândega da Fé, fomos muito bem recebidos (como em qualquer outra parte por onde o LAL passou), e fomos presenteados com cerejas, assim como um livro sobre esta região.

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Não sou apreciador de cerejas, mas o meu companheiro, o Vítor, apreciou e bem ;-)

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Alguns kms adiante, o LAL regressava novamente aos percursos fora de estrada, ou seja, os participantes iriam ter 2 opções de percurso à sua escolha, uma fora de estrada e indicada para aqueles que se sentiam mais à vontade a descer caminhos de terra com regos (3 kms), e outra por asfalto, com um percurso rápido, com curvas panorâmicas e um bom miradouro.

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Hehehe…, a organização nunca pára de nos surpreender com personagens engraçadas :-)

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Eu e o Vítor, seguimos pela opção 1, isto é, pelo percurso fora de estrada, em diracção à Cabreira, enquanto que o Nuno e o Ricardo seguiram pela opção 2, a de asfalto, em direcção a Gouveia, Cabreira, etc, por outras palavras, uma estrada mais à Lés-a-Lés ;-)

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A opção revelou-se muito acertada para nós, porque além de tornar a actividade mais aventureira, permitiu mostrar o Vale do Sabor e a localidade de Cilhade, que em breve vai ficar submersa.

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Quanto ao percurso em si, não era nada mais do que uma descida de montanha em terra batida, mas que não oferecia dificuldades de maior aqueles que possuem alguma experiência no fora de estrada, dado que o piso não oferecia “armadilhas” e oferecia boa tracção, pelo menos às motas Trail.
Gostei muito de o fazer, e só tenho pena de termos apanhado alguns participantes mais lentos (diria muito lentos…), porque senão o gozo teria sido maior.
De resto, era uma descida que oferecia um cenário muito bonito e panorâmico, sempre com o rio Sabor, que nasce em Espanha, a abrilhantar a paisagem.
Passagem por um pontão de cimento, logo após Cilhade, que é uma bonita localidade com casas de xisto, com contrafortes graníticos.

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Bonita vista sob o vale:

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Seguiu-se uma bela estrada de montanha, em sentido descendente, que ia reentrar no Parque Natural do Douro internacional. Este é o parque mais comprido do país, dado que desce a sul do Douro ao longo de Águeda
Esta estrada é de uma grande beleza, pois é perceptível a grandiosidade e espectacularidade do Parque Natural do Douro internacional.
Nesta descida de montanha, é obrigatório parar e apreciar com calma a paisagem :-)

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Por estas bandas os animais assumem um papél prioritário ;-)

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Ao longe a ponte Sarmento Rodrigues, que marca a mudança de distrito e região:

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A próxima paragem e picagem da tarjeta foi em Barca d’ Alva, onde o LAL já passou 3 vezes. Aqui já estávamos na Beira Alta.

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A picagem era no fim do pontão:

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A evolução dos tempos levou a que a Linha do Douro fechasse Barca d’ Alva e desse lugar à nova era dos barcos de cruzeiro. Restam as recordações.

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Seguiram-se mais alguns troços que, segundo a organização, eram novos no LAL. As aldeias de Escalhão a Almeida foram visitadas pela 1ª vez e, geograficamente, levaram-nos a até muito perto de Espanha.
Foi nesta zona que sofremos uma emboscada (picagem) dos Vespistas do Norte, e uma pequena passagem por uma zona fora de estrada:

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Infelizmente, escapu-nos neste ponto a picagem, ou seja, estávamos no sítio certo, recebemos o autocolante alusivo à passagem, mas não encontramos as pessoas que estavam a picar as tarjetas. Foi pena, porque foi o único ponto onde não picamos, mesmo estando no sítio certo. Irónico não?
Até ao momento, estava a adorar o desenrolar deste 1º dia de LAL, pois o norte do país estava a oferecer-nos passagens por zonas magníficas, com cenários maravilhosos e por localidades com história.
Esta forma de descobrir o país estava a agradar-me e a deixar-me mais curioso.
Viva o Lés-a-Lés! :-)
Depois, e tal como sugere o “road book“, Alma até Almeida, onde tivemos 20 minutos e 2 kms para apreciar 6 baluartes de Almeida.

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Os 6 baluartes de Almeida são uma grandiosa obra de engenharia iniciada em 1641, e é a mais monumental praça-forte de Portugal e que conheceu guerras terríveis.
Uma zona histórica e que exigia que se circulasse devagar, de forma a podermos apreciar convenientemente os 6 revelins, as casamatas e quartéis.
Gostei muito!

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Muralhas e canhões transportam as nossas mentes para outros tempos e fazem-nos imaginar as grandes batalhas que aqui se travaram, e que só sucumbiu devido à negligência de quem fez explodir o paiol em 1810. Espectacular!

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As Casamatas (bunquer da altura), das quais 7 das salas das Casamatas foram transformadas em Museu:

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Eram salas à prova de bomba e que já estiveram cobertas de terra. Têm uma nascente de água e conseguiam abrigar 3.500 pessoas (em caso de guerra).

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Passagem pelo Museu Militar:

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Antes de seguir em frente, tempo para abastecer.

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Os abastecimentos foram sempre as partes menos boas do LAL, dado que normalmente as estações de serviço encontravam-se cheias de motas, levando-nos a demorar uns largos minutos.
As paragens até foram bem vindas, pois permitia-nos descansar um pouco. Já que falamos neste assunto nota para a melhoria dos consumos das LC8, isto é, nos Açores e devido à sua geografia, os consumos são sempre mais elevados, em Portugal Continental, conseguimos fazer mais kms, pois não estamos em constante pára/arranca.
Muito bom! :-)

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Mais uma bonita passagem, desta vez na Ponte de Sequeiros, construída no século XIII, para fins fronteiriços.

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Uma passagem com a presença dos sempre animados Moto Clube Galos de Barcelos :-)

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Sabugal, Badamalos, Valongo do Côa, Martim Pega, Carvalhal Meão…, e ainda havia muito mais a percorrer :-)

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Vila do Touro ofereceu-nos o próximo ponto de picagem, onde tínhamos que estacionar e subir a pé ao castelo.

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Com o calor que estava, era caso para se dizer :

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Vila do Touro foi vila sede de concelho quase desde o inicio da nacionalidade, mas a construcção do seu castelo nunca chegou a ser concluída, devido a ter deixado de ser fronteiriça com o Tratado de Alcanices.
Este castelo ainda não tinha sido visitado pelo LAL.
Na subida ao castelo, os participantes foram presenteados com vários sinais de trânsito, mas que estavam alterados e contavam uma história que, resumidamente, conta a história de um casal que se apaixonou, em que ela engravidou (ops) e, finalmente, vendeu a mota.
Muito engraçado :-)

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Isso é que não…

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Bem, a caminhada ao sol não foi nada fácil, mas a vista das ruínas do castelo compensou todo o esforço :-)

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Outra passagem histórica foi a do Castelo de Sabugal, que, segundo a lenda, foi no largo deste Castelo que aconteceu o milagre das rosas entre a raínha Santa Isabel e D. Dinis.

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O Castelo esteve aberto de propósito para a caravana do LAL, sendo a sua visita imperativa :-)

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E era chegada a hora do tão apetecido almoço, no Sabugal, pois as energias já estavam bem em baixo, fruto do acumular de kms e, principalmente, do muito calor que se fazia sentir.
Confesso que estava a sofrer um pouco com o calor, e esta paragem foi muito bem vinda para mim.
Retemperando energias…

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A FMP trabalhou muito na divulgação do LAL em algumas localidades.
1250 motas…, bem, é no mínimo IMPRESSIONANTE :-)

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De volta à actividade, km a zero e rumo a Penamacor.

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Na minha opinião, uma das coisas mais engraçadas no LAL são as travessias de algumas aldeias/localidades mais antigas, com casas em pedra/xisto e pavimento a consizer, com em Penha Garcia.

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Em Penha Garcia, subimos até um cume, onde paramos e fomos presenteados com uma vista magnífica sob o Vale do Pônsul:

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Mais um momento Kodak :-)

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E saída de Penha Garcia, pelas suas ruas pitorescas:

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Mais uma picagem e siga! ;-)

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Os próximos kms estavam progressivamente a levar-nos para Espanha, sendo a 2ª vez que o LAL entre em Espanha. A 1ª vez foi em 2007, com passagem por Olivença.
Se não estou em erro, rio Erges:

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E siga para Espanha, rumo a Alcântara :-)

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E a chegada à Ponte de Alcântara (Cáceres), que fica sobre o rio Tejo, e possui 194 metros de comprimento, 61 metros de altura e 8 metros de largura.

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Uma construcção com 1905 anos. No mínimo imponente.

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A travessia da ponte, entrada em Alcantara, Plaza de la Corredera e subida do “Calle” principal.

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Carretera EX 207 e 26 kms de rectas até membrio.
Agora é só enrolar o punho direito, mas com cuidado, pois a Guarda Civil está avisada da passagem dos participantes do LAL;-)

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Voltamos a entrar em território nacional, com travessia do concelho do Marvão, onde Eu e o Vítor ficamos hospedados no fim deste 1º dia de LAL.
O dia já ia terminando aos pucos, assim como o “road book“, indicando que este 1º dia esava quase a terminar.
O fresco do fim de tarde estava a ser muito agradável e relaxante, pois o dia tinha sido de temperaturas elevadas.

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E entrada no palanque em Castelo de Vide, região do Alentejo e sub-região do Alto Alentejo:

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Já estávamos no Alentejo, com muitos kms deixados para trás, com paisagens fabulosas, com passagens maravilhosas, onde destaco o Parque Natural do Douro internacional, os 6 baluartes de Almeida, Vila do Touro, entre outros, e, naturalmente, algum cansaço natural deste longo dia.
Uma vez mais afirmo que, valeu a pena cada km! :-)
Mas o dia ainda reservou mais uma agradável surpresa, à chegada a Castelo de Vide, tínhamos à nossa espera o João Morais e um amigo, Motociclista, companheiro e amigo que esteve durante alguns meses em São Miguel e me acompanhou em vários passeios.
Este amigo não nos esqueceu e deslocou-se quase de propósito até nós.
Claro que o convívio não podia deixar de se realizar, onde foram recordados grandes e agradáveis momentos em São Miguel.
Amigo, OBRIGADO por não te teres esquecido de nós, pela tua companhia e, sobretudo, pela tua amizade.
Este Lés-a-Lés estava a ser memorável, sem dúvida.
O 2º e último dia, ia nos levar de Castelo de Vide a Lagoa.
Era muito importante dormir um pouco, porque previa-se temperaturas muito elevadas para este 2º dia.

CONTINUA

Boas Curvas! :-)