Com a chegada da Primavera, nada melhor que um passeio aventura para esquecer o Inverno chuvoso que se tem abatido sob São Miguel.
O Domingo de Primavera amanheceu um pouco nublado, mas nada que indicasse mais chuva, sendo ideal para este passeio.
O ponto de partida foi o de costume, onde apenas surgiram 3 pessoas para este Primavera Off-Road, ou seja, Eu e o Miranda na KTM 950 ADVENTURE e um estreante no grupo, o Pedro, montado numa bonita Suzuki DR-Z 400.


Para mim foi um passeio com alguma nostalgia, dado que a Suzuki DR-Z 400 do Pedro foi à cerca de 7 anos atrás a minha mota 
Foi bom rever esta mota, pois foi uma companheira incansável e que me acompanhou em muitos passeios. Na altura estava transformada em Supermoto, era um espectáculo! 
Só guardo boas memórias desta mota 
E segundo o novo proprietário, a mota é excelente e muito fiável

Pouco depois das 9:00 fizemo-nos à estrada, onde o objectivo era, novamente, as Sete Cidades, devido à variedade de percursos existente nesta zona e porque assim seria mais fácil conhecermos melhor o Pedro através de percursos que já conhecemos bem.
O percurso era simples, da feguesia da Relva até às Sete Cidades, com entrada no trilho da Vigia das Feteiras.
E lá vai o Pedro e a DR:

O Miranda super concentrado em analisar o comportamento da suspensão dianteira, dado que a mesma tinha sido alvo de uma intervenção técnica por parte de um Técnico de suspensões do Continente que esteve na ilha durante a semana, o Pedro Almeida, mais conhecido no meio por “Barbaças”.

O “Barbaças” não revelou muitos pormenores, mas a suspensão da KTM recebeu novos “settings”, que conferiram mais 4 cm de curso.
O Miranda estava a adorar o comportamento dela com os novos “settings”, pois estava com uma excelente leitura do terreno e grande capacidade de absorção das irregularidades.
A suspensão dianteira da minha KTM é a próxima a receber o mesmo tratamento


Voltando ao passeio, o trilho da Vigia das Feteiras começou com uma primeira parte simples, mas depois começou a piorar e os buracos começaram a surgir, exigindo atenção redobrada:

Demos por nós com uma sucessão de vários regos e buracos, bem ao estilo do Enduro, que me apanharam desprevenido

São regos e buracos causados pelas fortes chuvadas das últimas semanas, que acabam por transformar por completo determinados percursos.
Digamos que neste momento cada trilho que tomamos reserva-nos surpresas e obstáculos que antes não existiam.
Aqui foi preciso uma ajudinha para empurrar o “mamute” para fora do buraco:

E toca a seguir em frente!

Este trilho estava super irregular…

Nada como um pouco de água para arrefecer

Depois da Vigia das Feteiras, tomamos outro trilho na freguesia das Feteiras, que é muito utilizado pelo pessoal do fora de estrada.
O seu estado era uma incógnita

Uma das alterações que notamos nos trilhos causada pelas fortes chuvadas, são as depressões, as quais surgem do nada.
Na foto abaixo é notório que esta parte do percurso abateu-se devido a uma forte passagem de água vinda do mato:


As derrocadas também são mais que evidentes e são, talvez, dos elementos mais perigosos nos dias de hoje, dado que as terras ainda estão muito moles da chuva e estão constantemente a deslizar pelas zonas mais acentuadas.


Infelizmente, o Miranda não conseguiu evitar uma pequena queda:

Mas felizmente, ainda bem que tombou, senão:

Numa zona de lomba em que parecia ser possível efectuar um salto, o Miranda deparou-se com uma vala de dimensões consideráveis, que o obrigaram a travar a fundo, de forma a não cair na vala:

Uma vala cuja transposição era impossível devido à sua largura e que poderia ter causado danos físicos e materiais ao Miranda ou a outro de nós.
É caso para se dizer, ainda bem que caíu…

É como já referi, os percursos encontram-se super diferentes e mais perigosos devido às fortes chuvadas.
Após recuperado do susto, demos meia volta e voltamos para trás:


Contudo, existem muitos percursos nesta zona e não foi díficil tomar outro na freguesia das Feteiras:


Sucederam-se vários percursos muito agradáveis, que alternavam entre descidas e subidas, acompanhados de muitas irregularidades, sob a forma de buracos e regos/valas, mas transponíveis.

Um percurso que habitualmente fazemos nesta zona, é um trilho em sentido ascendente e que possui várias lombas propícias a saltos.
No entanto, este trilho estava muito irregular e sempre que tentavamos um salto, a aterragem nem sempre era perfeita ou tranquila, devido aos muitos regos e buracos.
Não estava nada fácil e até levou o Miranda novamente ao tapete, sem quaisquer consequências:

O Pedro estava sentir menos dificuldades, pois a sua “cabrita” estava bem mais à vontade e facilitava-lhe muito a vida:

De referir que o Pedro estava super impressionado com o comportamento das LC8 no fora de estrada, especialmente nas zonas mais durinhas, pois desconhecia a eficácia de todo o conjunto.
O homem não se fartou de elogiar as capacidades das LC8


Já bem peretinho das Sete Cidades, o nevoeiro começou a ficar cada vez mais intenso, dificultando a nossa visibilidade.





Chegados à Vista do Rei, o nevoeiro era mais que muito, não valendo a pena parar.
Por isso, tomamos o percurso das Cumeeiras, acompanhados por um forte nevoeiro até uma certa zona, mas que depois melhorou e permitiu visualizar a lagoa das Sete Cidades:


Rolamos pelas Cumeeiras a um ritmo super muito interessante, onde em algumas zonas chegamos a atingir velocidades mais proibitivas, mas que acabaram por transmitir algum entusiasmo e adrenalina extra
, especialmente devido ao som dos LeoVince da minha KTM e da do Miranda. Sim, o Miranda também já tem uns LeoVince idênticos aos meus e não para de sorrir com a voz rouca da sua “menina” 
Mas após alguns kms de pura diversão, o nevoeiro voltou a surgir e de forma bem mais intensa


Xiiii…., não se vê um palmo à frente do nariz


No final das Cumeeiras, a coisa começou a melhorar


E demos por encerrado as Sete Cidades!


Com tanta diversão quase que nos esquecemos das horas
e, já estava quase na hora do almoço e de obrigações familiares.
Assim sendo, decidimos descer a Covoada pelo asfalto, onde apenas estava planeado uma última incursão num trilho desta freguesia.

A vista neste trilho também era muito bonita, mesmo com nevoeiro:

Na minha opinião, os percursos que possuem uma forte cobertura de vegetação são um espectáculo!


Mas muita vegetação numa ilha é sinónimo de humidade e… LAMA


Numa das várias poças de lama deste trilho, quase que ia caindo, mas a velha técnica de bater com a bota no chão salvou-me.
No entanto, a perna que colocou em prática a referida técnica, foi a que possui ligamentos rotos e não tem menisco, o que me levou a algumas dores passageiras…
Tive que parar e recuperar fôlego.

Bem, e já estava na hora de rumar a casa!
Despedimo-nos do Pedro, mas não fomos directos para casa, ou seja, passamos na pista de Motocross para ver a sessão de treinos que decorria para a 1ª prova do Campeonato de Motocross dos Açores 2010:



Uma sessão de treinos muito animada e recheada de cenas de grande técnica e que contou com a presença de 2 grandes pilotos do Continente, o Ivo Fernandes em KTM e o Luís Correia em Yamaha.
Quando nos preparávamos para ir embora, eis que o Miranda tem uma surpresa, um furo 
Mas nada de preocupante e com a ajuda da equipa da KTM presente na pista de Motocross, pudemos resolver temporariamente o pneu, de forma a chegarmos a casa.
Foi uma assistência oficial

E assim terminou o nosso passeio! 
Foi um excelente passeio e o nosso novo companheiro revelou-se uma pessoa 5 estrelas e à altura destes passeios.
Espero que continue a aparecer, pois virão mais e melhores passeios 
Uma nota final para o estado degradado dos percursos fora de estrada, os quais exigem atenção redobrada e não estão a permitir grandes descuidos.
Tenham atenção!
Por fim, fiquem com este pequeno vídeo:
Ou se preferirem no AçoresTube:
http://www.acorestube.com/video/4505/PRIMAVERA-OFF-ROAD-2010#video
Boas Curvas! 
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