"Não tento explicar às pessoas porque é que ando de mota.
Para os que compreendem, nenhuma explicação é necessária!
Para os que não compreendem nenhuma explicação é possível…"




Honda XRV 750 Africa Twin - Test-Ride

Ontem ao final da tarde, eu e o Miranda fomos ver uma mota muito especial e lendária, a qual tive a oportunidade de fazer um pequeno test-ride. Esta é uma mota que sempre admirei e que continuo a achar uma referência no segmento e que foi nada mais menos que a já descontinuada Honda XRV 750 Africa Twin.

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A mota que testei é de finais dos anos noventa e apresentava-se num estado razoavelmente bom, tendo em conta os mais de 10 anos que já tem. Claro que um olhar mais atento conduz-nos a determinadas zonas onde existem algumas ferrugens e oxidações, típicas da idade e, quem sabe, algum descuido por parte do(s) proprietário(s) que teve. Mas nada que uma boa revisão destes componentes não resolva. Contudo, não estava ali para avaliar o estado de determinados componentes, mas sim para satisfazer a minha curiosidade acerca desta mota, pois já li muita coisa sobre ela e, geralmente, comentários muito positivos e que nos remetem para um ideal de Maxi-Trail.   

O staff empresa Equipo Honda/ANC Motos não colocaram quaisquer entraves ao meu test-ride e rapidamente colocaram a mota no exterior das instalações, tendo eu “saltado” de imediato para cima dela. A vontade era muita…    

Ao passar a perna por cima dela, deparei-me com uma grande facilidade em colocá-la em posição “normal”, contrariando uma ideia pré-concebida que tinha dela, que me fazia pensar que esta mota seria pesada. Nada de mais errado, retiramos a Africa Twin do descanso com muita facilidade, apesar do seu centro de gravidade um pouco elevado e, somos brindados com um posto de controle descontraído e que nos proporciona um bom encaixe de pernas na mota. Até o depósito de gasolina deixa de parecer excessivamente grande…     

Os comando estão todos na posição adequada, o painél de instrumentos é agradável, apesar de revelar um formato e disposição antiquada, fruto da idade deste projecto, mas que não deixa de me parecer adequado e de estilo “dakariano”. Afinal de contas esta mota foi buscar a sua inspiração ao Dakar!    

Após familiarizar-me com a mota, arranquei, puxei ligeiramente pelas primeiras relações e o resultado foi muito positivo. Apesar de não ser um “canhão”, como por exemplo a minha actual V-Strom 650, a Honda possui uma boa faixa de utilização, que se traduz numa sensação de binário em baixas e médias muito agradável, o qual é colocado no asfalto de forma suave e progressiva. Depois de mais alguns quilómetros no asfalto, continuei a explorar o seu bicilindríco de 52 graus e reconfirmei esta sensação agradável de binário que este motor nos oferece, sendo a sua resposta muito prevísivel e controlável. Nota-se perfeitamente que este não é um daqueles v-twin que goste de fazer rotação se ser levado até ao limite, prefere que o seu utilizador aproveite aquilo que de melhor ele tem para nos dar, que é a faixa baixa e média de rotação. Contudo, sempre são cerca de 62 cv às 7.500 rpm e um binário de 62.7 Nm às 6.000 rpm, valores muito bons na sua altura.   

Um dos aspectos que não me agradou muito foi a caixa de velocidades, a qual achei algo dura, mas foi sempre de grande precisão. Mas não considero isto um defeito, mas sim característica.    

 Quanto à ciclística, apesar dos pneus se apresentarem em fim de vida, deu para retirar algumas ilações, as quais foram igualmente agradáveis. A nível de suspensões, achei que tinham um bom compromisso entre estrada e fora de estrada, pois absorvem com facilidade as irregularidades do piso. Tive a oportunidade de as testar em dois percursos fora de estrada e verifiquei que as irregularidades que estes pisos apresentavam eram ultrapassadas com facilidade e à vontade, fruto de uma suspensão dianteira com um longo curso e uma traseira que acompanha as pretensões da dianteira, bem como a existência de uma roda dianteira de 21 polegadas. Não se esqueçam, estamos a falar de uma mota com mais de 10 anos… 

Os travões não me impressionaram, achei que a sua potência se apresentava num nível suficiente. Chegam para as encomendas, mas mais alguma “agressividade” era bem vinda. Um aspecto que adorei foi a distribuição do peso. Na minha opinião, este aspecto está num bom patamar, tendo em conta a idade deste modelo, onde destaco a zona dianteira, a qual apresenta-se leve, aspecto muito bom na hora de enfrentar alguns trilhos mais revirados. Já tinha lido várias opiniões que a consideravam pesada, mas para quem anda com uma V-Strom no TT, a qual é uma Trail muito estradista, e passa para uma Africa Twin, acha-a de imediato leve, nem que seja pelo facto da sua zona dianteira se apresentar leve e intuitiva no TT. É claro que no asfalto este aspecto pode ser penalizador na hora de andar de punho enrolado, mas a Africa Twin não foi pensada para isso…  

Como já tinha referido, tive a oportunidade de tomar dois pequenos percursos fora de estrada e testar o comportamento da Africa Twin no TT e fiquei muito satisfeito com o resultado. Assim que entrei nestes percurso, senti de imediato uma enorme confiança, fruto das suspensões de longo curso e de uma secção dianteira mais leve que, por exemplo, a minha V-Strom. Ataquei de imediato, acelerando com um pouco mais de convicção e, a AT manteve-se sempre estável e neutra, sem nunca me causar surpresas desagradáveis. Neste ambiente senti de imediato o quanto a faixa de binário deste motor era utilizável, o qual revelou uma resposta suficientemente cheia, mas sempre suave e progressiva. Podia-se acelerar com alguma confiança, pois a resposta do motor nunca se revelou brusca. Nesta mota as coisas são muito previsíveis…  

Deliciei-me com esta mota nestes percursos, atravessando a traseira diversas vezes e ultrapassando os obstáculos com grande à vontade. De facto, a Africa Twin é realmente uma “dual sport”. Espectáculo!!!  

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Como tudo o que é bom acaba rápido, já estava a chegar novamente ao ponto de partida. Quando lá cheguei, o Miranda estava super curioso para ouvir os meus comentários, bem como o staff do stand. Assim que lhes transmiti as minhas impressões, ficaram naturalmente satisfeitos, especialmente por se tratar de uma mota com alguma idade. Com os comentários que teci, o Miranda ficou super curioso para a testar, mas como não estava devidamente equipado, adiou por mais alguns dias. Miranda, tem paciência… Enfim, foi um test-ride que colocou a Africa Twin num patamar ainda mais elevado da minha consideração e que a colocou ainda mais no topo da minha lista de preferências. Não chegou para destronar a minha preferida de sempre, a KTM 950/990 Adventure, mas ocupou um lugar muito especial…

Só tenho pena da Honda ter descontinuado este modelo, pois esta é uma “verdadeira” Trail, com aptidões reais para o fora de estrada e com uma fiabilidade invejável.
Futuramente, a Honda devia repensar o seu posicionamento no segmento das Trail e, quem sabe, lançar uma Africa Twin actualizada.  Mas por favor, não façam o mesmo que fizeram à Transalp, continuem com o espírito Dakar, isto é, suspensões de longo curso, jantes de raios, jante de 21 polegadas na roda dianteira, boa autonomia, boa distribuição de peso, etc, etc.  

Os interessados em saber mais sobre esta mota, poderão dar um saltinho ao seguinte fórum: http://www.xrv.org.uk/     

Os meus agradecimentos pessoais à Equipo Honda/ANC MOTOS e ao seu staff pela oportunidade de testar uma lenda viva do Motociclismo e espero que esta mota seja adquirida por alguém que realmente valoriza este tipo de motas

Boas Curvas! :-)

11 comentários em “Honda XRV 750 Africa Twin - Test-Ride”


  1. 1 MOTARTE

    Uma referência incontornável para os verdadeiros admiradores de Trail’s…

  2. 2 Paulo Miranda

    Pois é até cheguei a pensar que ias ficar com a Mota para ter na garagem como 2ª Mota :-) É um bom compromisso para aventuras fora de estrada.
    Estou muito curioso para a testar ;-)

  3. 3 Rui Medeiros

    A minha antiga e única “montada” até à data…. é com muita alegria que a vejo a rodar…
    Apesar da imponencia do conjunto, é extremamente dócil e confortavel….na minha opinião , o ideal para devorar uns kms aqui na ilha, e com boa protecção aerodinamica e conforto…
    BOAS CURVAS A TODOS

  4. 4 BRUNO BOTELHO

    Bem-Vindo Rui!
    A Africa Twin é de facto uma grande mota e continua a ser uma excelente escolha.
    Continua por cá e diverte-te.

    Boas Curvas! :-)

  5. 5 Felisberto Magalhaes

    tive uma e durante alguns anos foi a minha companheira de boas curvas.adorei.uma moto que inspira confiança apesar do seu porte merecer algum respeito.uma moto de guerra e ainda muito valorizada no mercado das usadas.
    como aspectos menos bons,achei sempre a travagem fraquinha,demasiado soft para um veiculo daquele peso.o consumo acima dos 140 tambem é elevado e o motor nas aceleraçoes nao entusiasma.
    o que mais admirei foi a polivalencia da moto,o conforto para pendura e condutor,a estabilidade e a fiabilidade.um best seller da honda

  6. 6 BRUNO BOTELHO

    Concordo contigo Felisberto.
    Apesar de alguns pontos menos bons, esta mota é um espectáculo.
    Uma das poucas Trail no verdadeiro sentido da palavra.

  7. 7 peppe

    eu tenho uma e classifico a com tres provas 1ª estrada: confortavel e chega a todo lado sem precisar de parar;2ª fora de estrada e espetacolar ; 3ª fora de estrada em serra dura chega la assima , por isso apresenta-me a moto que faz o mesmo . e tudo com muito conforto

  8. 8 Damião medina

    Não há mota como a africa twin. Só sabe quem já a montou.

  9. 9 antonio

    Quero comprar uma.Quem souber de alguem que queira vender entre em contato.

  10. 10 Nuno Ribeiro

    A minha “menina” é um espetáculo!!! :) Estou mortinho que chegue a Primavera e o Verão… para rolar!!!
    Uma AT será sempre uma AT….

  11. 11 Fernando Monteiro

    Tenho uma AT de 1996 comprada nova e acho uma mota espectcular. N~~ao gasto dinheiro com a mota e esta sempre operacional.

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