No passado Domingo, tive uma vez mais a oportunidade de participar num passeio de todo terreno de carácter mais endurista. Esta oportunidade fói-me concedida pelo Manuel Martins, a par da sua empresa do ramo motociclísitico, a MotoMais (http://www.moto-mais.com/), os quais me concederam uma Husqvarna TE 250 toda alteradinha, a qual já tinha baptizado de “White Power”. E que power que ela tem…

Para este passeio compareceram mais 2 amantes do TT, nomeadamente o Sérgio Chaves e a sua Husqvarna TE 510, um autêntico canhão:

O Isac na sua Honda XR 250:

Por fim, o nosso guia para este passeio, o experiente Manuel Martins, o qual estreou neste passeio uma Gas Gas EC 300, também ela muito interessante:

O último passeio que participei na condição de convidado do Manuel Martins, foi muito acessível ao meu nível de experiência e técnica, que, diga-se de passagem, é muito baixo. Mas lá consegui me desenrascar e até deu para me divertir, pois os trilhos escolhidos pelo Manuel eram acessíveis. Mas desta vez as coisas foram muito diferentes…
Após o pessoal encontrar-se devidamente equipado e as motas devidamente preparadas, partimos em direcção aos trilhos, comigo a experimentar as primeiras sensações da Husky de 250 cc, que, eram muito honestas e acessíveis, quando comparadas com a mota do último passeio que o Manuel me emprestou, a TE 450.
Para aquecer os músculos do pessoal, entramos em alguns percursos TT super acessíveis, situados na freguesia da Relva, onde o trilho da Vigia das Feteiras foi feito num ápice e fez com que quase de imediato me apercebesse que a TE 250 iria ser uma boa companheira de passeio, ou seja, potente quanto baste, leve, maneável e umas suspensões de luxo. Estava a deliciar-me!!!

Depois deste trilho, entramos em vários trilhos da freguesia das Feteiras, onde os trilhos começaram a ficar um pouco mais exigentes, mas sempre num nível perfeitamente aceitável e acessível. Pelo caminho, o Mané divertia-se que nem um louco, aproveitando pequenas lombas para efectuar saltos, derrapagens longas, cavalinhos, enfim, estava no seu habitat natural.

Os trilhos desta zona da ilha são simplesmente espectaculares e muito bons para a prática do TT, oferecendo um piso muito diversificado, o qual pode num instante parecer muito inocente, mas uns metros mais à frente pode ficar mais complicado. Enfim, rapidamente passamos de estradões para trialeiras.

Na foto abaixo, é possível ver uma zona onde o Mané ganhava balanço e efectuava um salto espectacular, o qual é vísivel no vídeo. Além do autêntico recital de pilotagem que ia demonstrando ao longo do passeio, o Mané tinha o cuidado de parar em determinadas zonas, para oferecer ao pessoal uma demonstração grátis de espectáculo.

De referir que o Sérgio e o Isac estavam a ser uns excelentes companheiros de passeio, ajudando-me sempre que eu precisava.
A certa altura, tive a oportunidade de testar a TE 510 do Sérgio, a qual revelou-se de imediato excessiva para os meus dotes de pilotagem, isto é, um autêntico canhão e poço de força para a minha condição física e técnica. A experiência foi interessante, mas após aquela voltinha já estava com saudades da TE 250…
Entra trilho, sai trilho e já estávamos nas Sete Cidades:

O dia estava maravilhoso, com uma temperatura agradável e as paisagens a condizer:

Mas o passeio não era paisagístico, mas sim TT, e, a partir deste ponto, as dificuldades começaram a aumentar e os trilhos começaram a exigir mais de mim. Mas o que poderia eu fazer com tão pouca experiência???

Bem, com a minha experiência, apenas poderia suspirar de alívio cada vez que me safava de uma situação mais complicada.

Na zona das Sete Cidades e as suas bonitas lagoas, existem muitos trilhos, os quais variam um pouco, ou seja, podemos optar por trilhos simples e com vários estradões, ou podemos optar por trilhos mais ao estilo de uma prova de Enduro, em que os mesmos oferecem várias zonas técnicas e trializantes.
Para minha sorte (ou não…), o Mané optou por alguns dos trilhos mais díficeis, os quais possuiam várias zonas estreitas, onde a circulação da mota apenas era possível através de pequenas valas/regos situados no chão.

Alguns destes trilhos ofereciam a hipótese de visualisar paisagens de grande beleza natural, além de algumas zonas darem a impressão de estarmos a penetrar no coração da natureza, pois a vegetação começa a ficar mais densa e, por vezes, temos que literalmente furar a vegetação.


Em alguns destes trilhos é preciso ter algumas cautelas, dado que existem várias árvores atravessadas no caminho, obrigando a que baixemos a cabeça. Numa destas zonas bati com a parte superior do capacete, porque não me baixei a tempo.

A dada altura, o Sérgio trocou de montada com o Mané e decidiu experimentar as sensações de uma dois tempos, neste caso a Gas Gas. Entretanto, O Mané ia abrindo caminho com a 510:

Nestes percursos, a cor verde ganha outro protagonismo, ficando super intensa.


Mas quando eu pensava que o nível de dificuldade não ia aumentar, o Mané decidiu subir um pouco mais o nível e levou-nos para um percurso que fez parte da extinta prova do Nacional de Enduro que se realizava por cá alguns anos atrás.
Apelidei este trilho de trilho do Diabo, porque é simplesmente demolidor para alguém inexperiente como eu:

O Mané foi claro nas indicações para este trilho, ou seja, motas desligadas e com a 1ª velocidade engrenada e usar o travão traseiro a par da 1ª velocidade engrenada como travão. Este era um trilho descendente e acentuado, dando a impressão que estamos a ir escarpa abaixo, onde o motor praticamente não nos serve de nada, só mesmo para ultrapassar alguns obstáculos e voltar a desligar o mesmo.

O Mané disse que fazia este trilho em 7 minutos e que nós talvez o conseguisse-mos fazê-lo em 20/30 minutos. Bem, falhou por pouco, foram 40 minutos de grande dificuldade, dado que além da inclinação, havia de tudo, desde lama, pedras com limos super escorregadios, muita pedra solta, vegetação densa, enfim, vários obstáculos naturais que provocavam alguns arrepios na espinha e muito cansaço.
Contudo, o Mané consciente das minhas dificuldades, parava lá de vez enquando e esperava por mim ou mesmo ajudava-me a transpôr alguns obstáculos. Mas para ele, era apenas mais um trilho e mais uma oportunidade de diversão.

No meio de tanta dificuldade, aparecia uma paisagem ou outra que ajudavam a esquecer por alguns segundos estas dificuldades:

Aquilo que para nós é dificuldade, para o Mané é apenas rotina:

Os minutos passavam e este trilho do Diabo parecia não acabar, ao contrário da minha resistência física, a qual já começava a dar sinais de fadiga, levando-me a pequenos tombos para o lado e dificuldade em colocar de pé novamente a Husky. Não há dúvida que a condição física é primordial no TT mais a sério.

A dada altura o Isac veio em meu auxílio, porque já estava tão esgotado que nem consegui erguer a Husky.

Mas lá fizemos uma pequena paragem para descansar um pouco, porque seguia-se uma zona de grande dificuldade, ou seja, um “drop” de altura considerável e que exigia alguma perícia em fazê-lo, porque não bastava saltar , era necessário dar um pequeno jeito à mota para a mesma entrar no caminho certo, que era à esquerda.
Visto de cima:

De baixo:

Felizmente, o Mané encarregou-se de fazer a transposição desta zona a todas as motas do pessoal, pois ninguém se sentia à vontade para tal. Grande Mané, foi uma ajuda preciosa ao longo do passeio e nunca deixou de nos ajudar.

Mesmo em zonas estreitas, o Mané conseguia voltar a mota para a direcção que pretendia. A mota parecia leve como uma pena:

Para minha satisfação, chegamos ao fim deste trilho e pude respirar de alívio, apesar de também ficar com uma grande sensação de realização pessoal por ter conseguido chegar até ao fim.
No final deste percurso, esperava-nos um estradão coberto por água, a qual chegava até à altura do motor e estava super suja:

Infelizmente não evitei um tombo lateral nesta zona, tendo ficado completamente sujo e com um cheiro desagradável daquela água.
No entanto, fizemos uma pausa num café local das Sete Cidades e a Laranjada nunca soube tão bem com o cansaço que estava a sentir.
Mas isto ainda não tinha acabado. Após alguns minutos fizemo-nos à estrada e, uma vez mais, as paisagens eram de cortar a respiração:


Na zona das Cumeeiras as vistas sob as lagoas das Sete Cidades são uma constante. Efectuamos esta zona a um ritmo despachadinho e pude em algumas zonas expremer o motor da TE 250, o qual revelava-se muito rápido e suficiente.
E, uma vez mais, paisagem:

Finalmente saímos da zona das Sete Cidades e fomos em direcção à freguesia da Covoada, para entrarmos num cascalheiro situado nesta freguesia:

Nesta zona existe uma subida que alícia muitos praticantes de TT a tenatrem subi-la até ao fim. A dificuldade não é a inclinação, mas sim o seu piso mole feito em cascalho:

Tudo o que sobe, também desce

Numa das suas subidas, o Mané fez um cavalinho em plena subida. Uma demonstração clara do seu nível elevado de experiência e técnica. São muitos anos de Motocross, TT e Enduro…

Depois destes momentos bem passados, voltamos a entrar no mato e na vegetação densa, sendo os trilhos bem mais acessíveis. Mas acessível não quer dizer menos atenção…


Numa determinada zona deste trilho, havia uma vasta área sem árvores e com várias zonas que faziam lembrar as dunas do deserto, sendo igualmente moles. Uma zona espectacular e muito divertida de se fazer.


Adorei esta zona e adorava voltar à mesma. Talvez um dia…

Após este trilho, rumamos praticamente directos ao ponto de partida do passeio, porque já não haviam forças para muitas mais aventuras e brincadeiras.
Este foi um passeio um pouco mais exigente e díficil, mas que não deixou de ser igualmente divertido e interessante a vários níveis, pois não só me permitiu disfrutar de uma mota fantástica como a Husqvarna TE 250, como também me permitiu expandir um pouco mais os meus conhecimentos de todo terreno e acumular experiência.
O balanço que faço da Husqvarna TE 250 é mais que positivo, porque revelou-se uma mota super amigável e acessível, mas tremendamente eficaz no TT, independentemente da dificuldade dos trilhos. Esta “pequena” Husky tem tudo o que um utilizador de fim-de-semana e pouco experiente necessita, motor com a potência na dose certa, ciclística eficaz e um peso pluma que, após alguns trilhos exigentes, ficamos ainda mais a gostar.

E, como de costume, o vídeo do passeio, com uma panorama geral do mesmo:
http://www.youtube.com/watch?v=dWhRYfM26aE
E um vídeo com o Manuel Martins a dar show com as Husqvarnas:
http://www.youtube.com/watch?v=J5f6Jl1Y0M8
Por último, o meu MUITO OBRIGADO ao Manuel Martins por este Enduro oportunity e ao Sérgio e Isac pela sua ajuda e companheirismo ao longo do passeio, o qual foi espectacular em todos os sentidos. Percursos e mota foram do melhor.
Boas curvas!
PS: Ainda estou com o corpo um pouco moído daquele trilho do Diabo 
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