"Não tento explicar às pessoas porque é que ando de mota.
Para os que compreendem, nenhuma explicação é necessária!
Para os que não compreendem nenhuma explicação é possível…"




Ribeira Grande TT

No passado Domingo, dia 4 de Janeiro, o grupo Azores Trail TT deu ínicio aos passeios fora de estrada do ano de 2009, embora o grupo habitual destas andanças não estivesse completo.
Como de costume, o ponto de encontro foi numa estação de serviço local, onde compareceram à chamada da “terra” Eu na V-Strom 650, o Hugo na pequena, mas valente, Yamaha DT 50 e o Miranda no “canhão” do costume, a KTM 950 Adventure.
Antes do ínicio do passeio, problemas para o Hugo, a tampa de gasolina não queria fechar e, também, não libertava a chave, ou seja, a chave estava presa na fechadura da tampa. Pior que tudo, a chave da tampa do depósito mas era a mesma da mota. Mas com um pouco de jeito lá se consegui libertar a chave, mas a tampa do depósito ficou danificada, sendo necessário recorrer a alguma bricolage para resolver a questão:

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Problemas resolvidos e demos ínicio ao nosso passeio, o qual tinha como objectivo principal fazer um trajecto simples, acessível a todos e que fosse nos arredores de Ponta Delgada.
Assim sendo, partimos em direcção à Lagoa, onde entramos nuns percursos fora de estrada muito acessíveis e que servem de acesso a várias propriedades privadas, bem como de atalhos circundantes às vias rápidas. Estes percursos levaram-nos rapidamente a outros percursos pertencentes à cidade da Ribeira Grande, onde o restante passeio se desenrolou.

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Nesta zona, descobrimos uns trilhos novos, com alguma lama e pedra solta, que começou a exigir um ritmo mais atento:

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Trilhos situados numa zona com grande envolvência de montanhas e pastagens, causando uma sensação de liberdade.

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Devido às chuvas que têm caído por cá ultimamente, a lama começou a surgir com mais frequência, tornando este passeio ainda mais interessante.

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Um pouco mais à frente, o Miranda decidiu entrar num percurso que tinha curiosidade em explorar, mas o qual era totalmente desconhecido. A ideia era seguir em frente e explorar, mas nestas coisas de exploração do desconhecido há sempre um pouco de receio…

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Este novo trilho revelou-se de ínicio muito acessível, onde começamos a subir no sentido da montanha, mas quando menos esperavamos, deparamo-nos com uma subida um pouco inclinada. O problema não era a inclinação, era o facto de se ecolhessemos mal a trajectória, o risco de atascanso era grande.

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Havia uma vala do lado esquerdo de quem fazia a curva e o caminho ideal era do lado direito. para meu azar, fui pelo lado pior e fiquei atascado numa vala:

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Eu bem que tentei sair sózinho, mas devido ao facto da vala ser de terra mole e de os meus Metzeler Karoo já não terem praticamente tacos no meio, a roda traseira limitava-se a patinar e a deixar-me cada vez mais atascado. Contudo, o Miranda e o Hugo vieram em meu socorro, tendo deixado a sua mota no final desta subida:

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Com a ajuda preciosa destes companheiros, lá saí da vala sem problemas de maior e a V-Strom lá subiu esta inclinação sem  qualquer problema.

Visto de cima, é notório o nível de inclinação:

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E para o Miranda e o Hugo, esta subida parecia não ter fim :-)

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Bem, estes dois chegaram cá cima sem fôlego, mas foi por uma boa causa ;-)

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A vista era magnífica:

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No entanto, continuamos em frente neste trilho de montanha:

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Um pouco mais acima verificamos que este trilho não tinha saída para qualquer lado, sendo apenas um acesso a uma enorme pastagem, situada no topo desta montanha. Tivemos que voltar para trás pelo mesmo caminho.

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Mas valeu a pena fazer esta subida, pois contribuiu para alargar a nossa experiência em trilhos de inclinação acentuada.

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A foto acima não foi resultado de actividade sísmica, mas sim de mais um atascanso meu, em que quando saí do mesmo, novamente com ajuda, fiquei suspenso pela protecção de cárter.

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O Miranda e o Hugo tiveram novamente que me ajudar. Mas se este passeio fosse fácil não teria piada, apesar da ideia inicial ser de um passeio acessível.

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Mas lá continuamos a explorar este percurso, no qual nos deparamos com zonas muito húmidas e com muita lama, havendo partes com grandes poças de água, tornando o passeio mais divertido.

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Contudo, havia que ter algumas precauções, dado que este novo percurso era muito acidentado e irregular, apresentando zonas com muitas valas e piso mole, deixando poucas zonas ideias para uma passagem segura.

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A partir deste ponto, as dificuldades aumentaram um pouco mais, dado que entramos numa zona ainda mais acidentada e perigosa, tendo provocado um pequeno tombo ao Miranda e à sua KTM. Nada de sério, mas é sempre chato.

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Nem o “canhão ” KTM se safou de um atascanso, o qual se revelou muito complicado, mesmo com ajuda:

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Ai, ai, ai…, como é que nos vamos safar…

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Tentamos várias vezes desatascar a KTM do Miranda, de modo a que pudessemos continuar em frente, mas não resultou. Tentamos empurrar, tentamos criar uma zona onde o pneu pudesse agarrar melhor, mudar a direcção da roda traseira, enfim, não estava a resultar e o pneu traseiro também não estava a contribuir, pois já estava um pouco gasto.

O melhor mesmo foi parar e descansar um pouco. Alguma ideia havia de surgir.

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Após uma pequena pausa, decidimos que o melhor seria não contnuar em frente, porque o percurso estava um pouco mau e poderia piorar, ou poderiamos acabar novamente numa zona sem saída. A solução foi fazer a KTM recuar e fazer meia volta para colocá-la apontada para baixo, mas ao fazer a meia volta, o Hugo estava junto à roda traseira e ficou encurralado na parede, ou seja, ficou com a perna presa entre a parede e o pneu traseiro.
De imediato apercebemo-nos da situação e tentamos ver se estava tudo bem, mas o Hugo estava a queixar-se de dores e não conseguia dobrar a perna. Tememos pelo pior e a ideia foi tentar evacuar o Hugo o mais rapidamente possível, de modo a ser observado no Hospital.
Após algum incentivo e apoio, o Hugo montou a mota e foi descendo a montanha devagarinho, sempre sob a nossa escolta, apesar de se encontrar com algumas dores, que pareciam incomodar-lhe cada vez mais. A ideia era tentar sair daquele percurso e depois logo se veria.

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Aquilo que mais temíamos era que as dores o afectassem de tal forma que não conseguisse prosseguir, porque aonde nos encontrava-mops só um jipe 4×4 lá chegava. Mas se este cenário se viesse a concretizar, já tínhamos alguém que possuia um jipe e que nos iria auxiliar. Felizmente, o Hugo estava a aguentar.

Pelo caminho, o Miranda não evitou mais um tombo, mesmo junto a uma poça de lama. Havia um “nervosinho miúdo” que lhe estava a incomodar, provavelmente relacionado com a situação do Hugo.

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Uma visão Nómada do passeio:

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Após sairmos do percurso fora de estrada, paramos na primeira estação de serviço que encontramos, porque as dores já estavam a incomodar em demasia o Hugo. Lá encontramos um vizinho do Hugo, o Sr. Parece, também ele Motociclista, o qual se prontificou a ajudar-nos e transportou no seu automóvel o Hugo até ao Hospital de Ponta Delgada. Muito Obrigada Sr. Parece!!!

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E o passeio terminou assim:

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Felizmente, o Hugo não tinha nada partido ou rachado, apenas tinha uma dor muscular forte causada pelo impacto da roda da mota. Nada que um bom descanso e uns comprimidos para a dor não resolva. Mas deu para ficarmos assustados e preocupados.
O passeio teve um final inesperado, mas que acabou bem. Contudo, foi um passeio muito bom, porque conhecemos novos trilhos e com um nível de dificuldade que nos obrigou a aplicar-nos um pouco mais. Apesar de algumas partes serem mais propícias a “cabras do monte”, as Trails lá se safaram e até nos surpreenderam, ficando no ar a vontade de regressar a este último trilho.

Deixo aqui o pequeno vídeo do passeio:

http://www.youtube.com/watch?v=GySNA4-TVeU

A ideia era fazer um passeio calmo e acessível, mas é como digo, se fosse tudo fácil não teria piada ;-)

Boas curvas! :-)

13 comentários em “Ribeira Grande TT”


  1. 1 MOTARTE

    Pena as situações menos agradáveis que aconteceram, mas (infelizmente) fazem parte…

    É uma questão de saber lidar com elas, pessoalmente, digo sem problemas, não consegui…

    Continuação de bons passeios!

  2. 2 Rui Cabral

    Bom passeio. Melhoras para o Hugo.
    Não iam andar muito mais para cima. Pelo trilho que seguiram não iam encontrar saída. Se tivessem virado à direita um pouco abaixo podiam ter encontrado um trilho que os levaria até à Geotermia. Não sei se com estes ‘monstros’ chegariam lá, mas podiam tentar…

    Abraço

  3. 3 BRUNO BOTELHO

    Obrigada Rui!
    Tirando a parte em que o Hugo se lesionou e que, felizmente, nada mais foi que uma dor muscular, as dificuldades do terreno acabam de proporcionar momentos interessantes e inesquecíveis, além de díficeis de resolver.
    Mas este tipo de “sacríficios” faz parte do espírito do grupo.

    Boas curvas! :-)

  4. 4 BRUNO BOTELHO

    Bem-vindo Rui!
    Obrigada pela tua dica, porque da próxima vez que lá formos somos capazes de seguir o trilho que indicas.
    Quanto aos “monstros” ou mesmo “mamutes” :-), elas devagarinho e à sua maneira lá vão explorando alguns trilhos mais complicados e, muitas vezes, chegam a impressionar-nos em zonas que pensavamos que eram impossíveis para elas. Mas a verdade é que os pneus cardados fazem maravilhas no desempenho delas.
    Contudo, a KTM Adventure é um caso á parte, ou seja, aquilo que é díficil para a minha V-Strom, por vezes é super fácil para a KTM. Aquela mota é impressionante…
    Continua por cá e diverte-te.

    Boas curvas! :-)

  5. 5 Rui Cabral

    Obrigado pelas boas vindas.

    Quanto a mim, aqueles ‘monstros’ que vocês andam são muito rápidos e não vejo como possam andar devagarinho. Devagar ando eu com a minha ‘burrinha’.

    um abraço

  6. 6 Luis Fraga

    Lindo passeio!
    Maravilha.

    Vocês descriminam o people dos moto4? :D
    É porque se não eu qualquer dia ainda vou com vocês! :)

  7. 7 Miguel Araújo

    Grande passeio pessoal, começam o ano em grande.
    Um bom ano para todos e votos de muitos passeios.

  8. 8 MOTARTE

    Faz isso Fraga!

    Para lembrar os bons tempos em que faziam aqueles passeios TT, relatados no fórum do CMSM, com o Carlos Silva, Paulo Ornelas, etc…

    Belos tempos! :)

  9. 9 BRUNO BOTELHO

    Olá Fraga!
    És muito bem-vindo sempre que quiseres nos acompanhar :-) Aliás, o teu Moto4 ia dar muito jeito neste último passeio, porque houve vários atascanços, os quais foram resolvidos à força de braços :-( Já sabes, tás à vontade para aparecer.
    Rui, essa observação dos passeios TT do CMSM tá muito bem vista. Outros tempos…
    Miguel, qualquer dia és tu que vais alinhar nestes passeios ;-)
    Boas curvas! :-)

  10. 10 Luis Fraga

    Pois é, aqueles passeios é que eram…
    Entretanto o Carlos fez uma jeitosa, o Ornelas foi pai e vendeu o moto4 por nítida falta de disponibilidade em enveredar por pelas lides do TT, e eu entretanto vendi o autocarro do varela (Bombardier Outlander) por motivos de negócios. Posteriormente acabeu por comprar uma Polaris sportmans X2 (de dois lugares, como a Bomb.), mas pouco tempo depois fui pai e vendi-a porque porque a Maria não iria poder vir nos passeios nem tão cedo. Entretanto comprei recentemente uma TRX450, por isso não vos ia dar assim tanto jeito pois além de ser 2×4 não tem guincho.
    De qualquer das formas, aqueles passeios deixaram muitas saudades, e apesar de não ser meu hábito comentar, costumo ler com grande apreço as vossas crónicas, realmente muito engraçadas. Impera um grande espírito entre vocês, que me faz precisamente lembrar com grande nostalgia aqueles passeios.

    Qualquer dia ainda vou mesmo com vocês!
    Costumam ir ao Sábado ou ao Domingo?
    Costumam sair de manhã cedo ou é depois do almoço?
    Ou varia?

    Abraços a todos e um grande bem haja! ;)

  11. 11 BRUNO BOTELHO

    Olá Fraga!
    A TRX 450 é uma excelente aquisição e, sem dúvida, uma boa “devoradora” de trilhos.
    Quanto aos passeios, costumamos a ir aos Domingos de manhã, normalmente das 8:30/9:00 até às 13:30/14:00, depende.
    Por vezes, fazemos daqueles passeios que ocupam o dia todo. Normalmente, quando vamos para Nordeste é assim e até costumamos a levar almoço na mochila e almoçamos num miradouro qualquer.
    Mas quando quiseres ir com esta malta, tás à vontade. Envia-me o teu número de telemóvel para brunobotelhosuzuki@gmail.com, de modo a avisar-te quando houver passeio.

    Boas curvas! :-)

  12. 12 Luis Fraga

    Ok, vou-te mandar um mail com o número de telemóvel.
    Quanto a passeios ao Nordeste é mais complicado, pois tenho o problema da autonomia. Para além do facto de os moto4 desportivos serem, de uma forma geral, algo limitados na capacidade de depósito, a minha tem um kit da duncan no motor, o que certamente aumenta o consumo.
    E como a tenho há muito pouco tempo, ainda não sei a autonomia da mesma. Ia ter de parar para abastecer pelo menos uma vez.
    Num andamento engraçado nem 90km deve fazer com um depósito…

  13. 13 BRUNO BOTELHO

    Já me esquecia, Fraga, parabéns por esta nova fase da tua vida e muitas felicidades. Agora que és pai tens que rodar o punho com mais calma ;-)
    Boas curvas! :-)

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