Domingo passado foi novamente dia de mais um passeio TT do pessoal do “Azores Trail TT”, nomeadamente Eu na V-Strom 650, Miranda na KTM Adventure 950, Gregório na Honda Dominator e, mais tarde, o Dinis na Suzuki DR 600 Dakar.
Além da febre por passeios fora de estrada, havia mais uma razão para o pessoal ir verdascar, que era o facto do Gregório ter montado na sua Honda Dominator um par de penus novos, nomeadamente os famosos Continental TKC 80.
O pessoal começou a reunir-se por volta das 9:00 na estação de serviço habitual e aí começamos o ritual de sempre, ou seja, abastecimento, verificação da pressão de ar dos pneus e o sempre bem-vindo cafezinho.

Após este ritual, foi hora de iniciar o passeio, o qual tinha como destino as Sete Cidades. Contudo, decidimos que o passeio iria ter o seu inicio na freguesia da Relva, seguindo depois através dos percursos existentes desde a freguesia das Feteiras, Ginetes, Candelária,Várzea e Mosteiros, até finalmente chegar-mos às Sete Cidades, onde existem muitos mais trilhos para verdascar.
Que mais podíamos pedir???
Lá partimos com destino à freguesia da Relva e entramos nos trilhos da Vigia das Feteiras, onde nos deparamos com alguma companhia inesperada:

Pois é, encontramos nestes trilhos 2 cavalos que se encontravam perdidos das suas pastagens. Tivemos que ter algum cuidado em contornar estes 2 animais, pois não pretendíamos assustá-los.
Após esta situação inesperada, seguimos em frente com o passeio, a um ritmo entusiasmado, onde o Miranda e a sua KTM Adventure simplesmente “fugiam” do nosso campo de visão, tal o ritmo endiabrado que estava a imprimir.

No entanto, eu e o Gregório estávamos um pouco apreensivos com o ritmo do Miranda, porque os trilhos desta zona são um pouco irregulares e, tanto apanhamos piso bom e rolante, como de seguida surgia uma parte com pedra e cascalho, causando alguma instabilidade.
Infelizmente, o Miranda numa destas partes irregulares circulava a um ritmo um pouco elevado e não evitou uma ida ao tapete, dado que a sua KTM “fugiu-lhe” de traseira, causando-lhe um pequeno susto, visto que tudo se passou muito rápido e de forma algo brusca.

Após verificarmos que estava tudo bem com o Miranda e que tudo não passou de um susto, lá levantamos a mota e também verificamos que a KTM nada mais tinha sofrido que uns meros arranhões, nada de especial.
Mas o inesperado voltou a acontecer, ou seja, quando recuava para tirar uma foto, toquei na minha mota e a mesma caiu para o chão, partindo um pisca e mais uns riscos na “crash-bar” e zona lateral da carenagem.

Mas não valia pena ficarmos ali a lamentar-nos. Voltamos a montar e o passeio prosseguiu, mas com o Miranda a um ritmo visivelmente mais calmo.
No final destes trilhos, paramos um pouco para conversar, onde o Miranda ainda acusava algum mau estar, devido à sua queda. Estava um pouco difícil sacudir a pressão daquela situação…
Também verificamos que os TKC 80 do Gregório apresentavam um desgaste algo estranho, especialmente por serem novos e porque o trilho que atravessamos não era nada de transcendente que pudesse causar aquele tipo de desgaste:

Mas em TT não há milagres, mas que não deixou de ser estranho lá isso não deixou.
Após este trilho da freguesia da Relva, entramos na freguesia das Feteiras, para dali para a frente seguir até às Sete Cidades, sempre pelos trilhos que atravessam as freguesias acima mencionadas.
Foram trilhos de carácter muito acessível e com algumas partes muito propícias para se dar umas boas acelerações e colocar a traseira a atravessar-se nas curas. Pura diversão!!!
Num destes trilhos, é obrigatório parar no miradouro que tem vista para a Ferraria, zona de junta ao mar e que nos oferece a possibilidade de nos banhar numa piscina natural de água do mar quente.

Já devem estar a pensar como é que é possível tomar banho no mar com a sua água quente? Muito simples, como estamos numa ilha de origem vulcânica e esta zona fica muito perto do vulcão das Sete Cidades, a zona rochosa desta zona balnear emana para a água do mar calor de origem vulcânica, que faz com que a água do mar da piscina natural aqueça. Por vezes, a água fica de tal forma quente que chega a fazer impressão, especialmente se nos aproximarmos da zona das rochas. Um espectáculo!!!
E a fotografia do grupo, onde apenas falta o Dinis, o qual juntou-se a na hora do almoço:

Mas havia mais trilhos à nossa espera, por isso, lá partimos.
O ritmo voltou a aumentar qualquer coisa, mas sempre com uma atitude cautelosa, especialmente da parte do Miranda, que ainda não estava refeito a 100%.

Os trilhos onde agora nos encontrávamos já ofereciam uma vista mais agradável, especialmente com o aproximar da freguesia dos Mosteiros, com vistas para os seus característicos ilhéus:

Não paramos nos Mosteiros e decidimos continuar a verdascar, onde os próximos trilhos já espreitavam e já com as Sete Cidades na mira do grupo.

Progressivamente deixamos a zona costeira dos Mosteiros para subir para as montanhas.
Na zona de montanha, encontramos um piso rápido, não obstante algumas partes mais arenosas junto às bermas:

O objectivo era o percurso das Cumeeiras, o qual circunda as Sete Cidades e nos presenteia com uma panorâmica desta freguesia que simplesmente nos deixa sem fôlego.
O ritmo já estava mais “vivinho”:

Entrando nas Cumeeiras e nesta zona a beleza total:

Difícil ficar indiferente…

Neste trilho, cruzamo-nos com mais pessoal que andava a fazer TT com as suas “cabras do monte”, entre os quais se encontrava o Manuel Martins, figura incontornável do Motociclismo de lazer e competição da Região.
No final deste trilho, uma pequena pausa:

E mais uma foto postal tirada do miradouro da Vista do Rei:
A partir deste ponto, a dificuldade aumentou um pouco mais, pois decidimos entrar num trilho um pouco mais difícil, o caminho dos 3 kms.

O nível de dificuldade ficou a dever-se essencialmente ao facto deste trilho ter sido feito no sentido descendente e, a juntar a este facto, o piso é irregular, onde facilmente encontramos partes com terra muito solta, várias lombas e algumas valas. Um bom teste às capacidades de cada um e com a mais valia de contribuir para a melhoria técnica de cada um.
Mas nem tudo são dificuldades, este trilho é maioritariamente coberto por vegetação, contribuindo para a sua beleza e sensação de estarmos a atravessar a natureza na sua forma mais pura.

Neste trilho não há nada melhor que ter umas boas suspensões para ultrapassar mais facilmente as várias lombas existentes.


Mas há quem faça das dificuldades motivo de diversão, como foi o caso do Gregório, que aproveitou para dar um pequeno salto numa das lombas:

Ficou a gostar e repetiu novamente, tendo este momento sido captado em filme.
Já perto do final deste percurso, viramos à direita e entramos num trilho ainda mais fechado de vegetação, onde o piso apresentava algumas partes enlameadas, causando alguma diversão.
Haviam vários troncos de árvores caídos, felizmente não estavam prejudicando a nossa passagem:

Numa das partes enlameadas, o Miranda decidiu acelerar um pouco mais do que devia e o resultado até foi divertido, ou seja, a mota atravessou-se de traseira, levando-o para uma barreira de vegetação:

Hehehe…, nada de especial e até foi motivo para uma boa gargalhada:

Continuamos na nossa travessia, sempre cobertos por uma vegetação super verdejante e densa:

No final deste trilho, alguns já acusavam alguns falta de condição física…

Este percurso terminou nas Sete Cidades e, como de costume, a beleza continuou a rodear-nos, desta vez junto das lagoas:

No entanto, já era hora de almoçarmos. Quando estamos a fazer algo que gostamos muito, nem damos pelo tempo a passar.
Dirigimo-nos para uma zona de piqueniques, de modo a que o Dinis se juntasse ao grupo e almoçasse na nossa companhia.
Mas antes, fizemos uma ronda ao perímetro de modo a nos certificarmos que estávamos em segurança:

Uma vez mais o almoço foi muito bom, onde não faltaram uns queijinhos Alentejanos e locais, a par de mais algumas especialidades.

Após o almoço, voltamos a atacar os trilhos das Sete Cidades, para tomarmos outro trilho de piso mais enlameado, algo irregular e com muitas partes descendentes, obrigando-nos a seguir a um ritmo moderado e cauteloso.
Neste trilho, voltamos a vislumbrar ao longe a freguesia dos Mosteiros, motivo para algumas fotografias:

O cronista de serviço:

Continuamos em frente, os trilhos prometiam sensações fortes, apesar do Miranda mostrar que aquela sua queda lhe deixou algo “apagado”. Mas o pessoal andou sempre a animá-lo e o Miranda lá ia ultrapassando os trilhos com mais alguma descontracção, apesar de longe do seu estado normal.
Tivemos que seguir a ritmo moderado…

Olha a lama:
Mais à frente, voltamos a parar para recuperar algum fôlego, porque de seguida esperava-nos uma parte algo complicada, com muita terra solta, algumas partes mais empedradas e uma subida final mais complicada, porque o piso era muito solto, podendo causar alguma falta de tracção, situação que se veio a confirmar.

Quando chegamos à referida subida difícil, tivemos que a transpor com algum cuidado ou perícia, porque se acelerássemos demais, a mota atravessava-se, perdíamos balanço e a roda traseira iria começar a patinar até pararmos. Não convinha parar e tentar subir a partir do ponto que paramos, porque só ia piorar. Apenas restava a ajuda dos restantes elementos do grupo para auxiliar.
Felizmente, este cenário não se concretizou e todos conseguiram subir, a um ritmo lento, mas sempre regular e com a rotação a um nível estabilizado e controlado, de modo a não provocar percas de aderência da traseira.

Da minha parte, posso dizer que se calhar foi sorte fazer esta subida à primeira, porque durante a subida eu apontava numa direcção e a mota seguia a que queria, tal era a terra solta.
No final, sensação de vitória e prontos para o próximo percurso, que seria a segunda parte das Cumeeiras, onde a beleza deste trilho é evidente, através de várias zonas de curvas encadeadas, típicas de montanha:
A lagoa das Sete Cidades estava novamente mesmo a nosso lado:

Este trilho conheceu o seu final no miradouro da Vista do Rei, onde o dia já caminhava para o fim e o sol aos poucos começava a perder o seu brilho:

Mas quando pesava-mos que as partes mais complicadas tinham acabado, decidimos enveredar em mais uma aventura e decidimos entrar noutro trilho, popularmente conhecido por fazer parte de provas de rampa, como a rampa da amizade, organizado por uma empresa local de motas.
À nossa espera estava mais uma descida com uma grande inclinação, de terra solta, lombas e partes acidentadas. Voltamos a sentir um nervoso miudinho, típico de algum receio.
Mas decidimos enfrentar a dificuldade:

Com muita cautela lá nos safamos, apesar das dificuldades terem sido algumas, porque não podíamos travar demais, nem com dianteira, nem com a traseira. A travagem tinha que ser muito bem doseada e nunca em excesso.
No entanto, safamo-nos, apesar de até ao fim o trilho ser muito irregular.
No final deste trilho, estava-mos na freguesia da Candelária e o dia estava cada vez mais no fim.
Daqui para a frente, circulamos no asfalto, de modo a que o pessoal descansasse um pouco, porque o dia tinha sido rico em trilhos de alguma dificuldade, provocando alguma fadiga.
Mesmo no final do dia, decidimos fazer o primeiro trilho do passeio, a Vigia das Feteiras, mas no sentido inverso:

Este trilho foi feito a um ritmo super calmo e relaxado, porque o pessoal já estava algo cansado e já apetecia dar por terminado o passeio.
Terminamos o passeio onde começamos, ou seja, na freguesia da Relva.
Foi um passeio muito bom, apesar de ter sido fértil em trilhos exigentes e apesar da queda do Miranda, a qual lhe afectou o passeio todo, pois nuca mais circulou no seu costume, ou seja, solto e despreocupado. Mas o Miranda lá se foi safando e no fim já pensava num próximo passeio.
Deixo aqui um vídeo referente a este magnífico passeio, o qual está dividido em 2 partes. Divirtam-se com as filmagens:
1ª Parte:
http://www.youtube.com/watch?v=n-uC2LxEqM0
2ª Parte:
http://www.youtube.com/watch?v=KIEI_JcOpe0
Resta esperar pela próxima verdasca na companhia deste grupo fantástico.
Boas curvas!
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