Não é todos os dias que cai do céu a oportunidade, ou melhor dizendo, o convite para fazer um test-ride a uma das grandes obras de arte da indústria motociclística Italiana e Mundial, a MV Agusta Brutale 910S.
Foi pela mão do Stand MotoMais, na pessoa do Manuel Martins (mais conhecido entre nós por “Mané” ;-)) que surgiu a MV Agusta em S. Miguel-Açores, reunindo desde a sua chegada o interesse de muitos entusiastas pelas 2 rodas, bem como o espanto e admiração pela coragem desta empresa em colocar não apenas a Brutale 910S, mas também a F4312 em exposição, sendo que esta última já se encontra vendida para o nosso conhecido e grande entusiasta Fraga, que sortudo!
Desde a chegada das MV Agusta que o Mané já me tinha convidado para fazer o test-ride da Brutale 910S, o qual eu aguardava ansiosamente (quem não aguardaria?!) e, claro, que não podia deixar de deixar aqui no nosso espaço o meu testemunho daquilo que foi o MEU test-ride ` Brutale.
Por conseguinte, este trabalho não tem quaisquer pretensões jornalísticas do tipo das revistas da especialidade, os quais avaliam todos e mais alguns aspectos técnicos, dinâmicos, estéticos, etc, dado que não passo de um Motociclista comum que teve a oportunidade (se calhar única) de “sentir” o pulsar de uma MV Agusta. Portanto, as minhas palavras valem aquilo que valem…
Mas passemos a factos!
O meu test-ride dividiu-se em 2 dias, sendo que o primeiro dia foi algo inesperado, dado que me encontrava na sede do Clube Motard de S. Miguel quando o Mané surgiu aos comandos da F4 312 e o Sérgio (outro Motard local) aos comandos da Brutale.
Bem…, que som que estas duas belas Italianas emitem, onde saliento não o ruído emitido pelos escapes, seco e rouco, mas sim o ruído mecânico do motor que chega a parecer que é mais elevado que o próprio ruído emitido pelo escape. Fantástico!!!
Após uns bons minutos a observar todos os detalhes destas 2 beldades, escutei atentamente o Mané e o Sérgio, os quais muito entusiasmados relatavam todas as sensações que as MV Agusta transmitem, deixando-me com “água na boca”.
E para meu espanto, quando era sensivelmente uma e pouco da manhã o Mané faz-me o convite para fazer um test-ride ` Brutale, o qual prontamente aceitei.
Depois de vestir o casaco, luvas e capacete lá me fiz ` estrada, a qual estava com muito pouca circulação de “enlatados”, sem vento, bom tempo, enfim, ideal para se testar a Brutale sem correr o perigo de ser incomodado, principalmente pelos “enlatados”.
O meu test-ride podia-se resumir apenas a uma só palvar: BRUTAL!!!
Mas não vos vou deixar em branco!
O meu test-ride foi feito principalmente em estrada aberta, pois é o ambiente natural de uma naked desportiva como esta, apesar de ter também circulado um pouco em cidade, ambiente pouco propício ao carácter visceral do seu motor com 910cc.
Após alguns quilómetros de circulação em estrada abeta rapidamente constatei que a Brutale gosta de andar rápido e incita a isso, fornecendo uma resposta motoriz sempre pronta, rápida e algo brutal para os mais inexperientes, pois quando se roda o acelerador de forma decidida a resposta é simplesmente brutal (para uma naked), onde a progressividade e suavidade de unidades motorizes de outras marcas simplesmente não existe ou nem damos por ela, tal é o carácter visceral deste motor.
Os 139 cavalos `s 11.000 rpm e 96.0 Nm (9.8 kgm) de binário declarados pelo fabricante são entregues de forma imediata e decidida, proporcionando acelerações muito rápidas e excitantes, onde o ruído mecânico do seu 4 cilindros em linha de válvulas radiais aumenta ` medida que o ponteiro do tânquimetro sobe, fazendo uma melodia simplesmente inconfundível, parecendo que estamos a ouvir todas as peças internas do motor a trabalhar.
Muitas vezes pensamos que já estamos na casa das 12.000 ou 13.000 rpm devido ao seu ruído elevado, quando na realidade ainda vamos com o ponteiro do tânquimetro a indicar 9.500/10.000 rpm. Espectacular!!!
Este motor proporciona doses elevadas de adrenalina, sendo que por vezes é mais sensato passar de caixa mais cedo, em vez de nos preocupar-mos em levar ao motor perto do red-line, pois há sempre doses elevadas de binário que nos leva a reacelerações/recuperações rápidas e sem ter-mos que estar constantemente e reduzir e sempre assistidos por uma embraiagem a óleo, muito suave e precisa de acionamento.
Por exemplo, em 6ª velocidade é possível reacelerar desde rotações muito baixas (se calhar por volta das 2.500 rpm) sem que o motor se queixe, engasgue ou se negue. A resposta é sempre pronta e sempre ao “ataque”, levando-nos a que nos entusiasmemos em demasia e quando damos por nós já vamos a velocidades muito além dos limites legais.
A caixa de velocidades possui um escalonamento adequado `s características desta naked, sendo precisa e eficaz em condução desportiva e correcta em no meio urbano.
Em cidade, o carácter visceral deste motor obrigam a uma condução mais atenta, devido `s suas reacções mais bruscas e levam a que a mota aqueça um pouco mais, sentindo-se este aquecimento facilmente nas pernas. Mas qual é a desportiva que não aquece em andamento urbano???
Tudo uma questão de hábito!
Mas não é só o motor que brilha nesta MV Agusta!
Quanto ` parte ciclística desta Brutale, a mesma encontra-se num patamar muito elevado, com componentes de elevada qualidade empregues, levando a que esta ciclística esteja ` altura das prestações do seu motor fogoso.
Assim sendo, encontramos um quadro titpicamente Italiano, ou seja, em treliça, abraçando o motor lateralmente e onde este é uma peça integrante da ciclística e contribui para a rigidez da mesma, transmitindo mediante um comportamento desportivo uma estabilidade elevada e uma precisão muito grande em curva.
Quando olhamos para a Brutale antes de a experimentar-mos, ficamos com a sensação de que esta naked parece grande, mas após uma voltinha depressa apercebemo-nos da sua elevada maneabilidade e do seu peso bem distribuído, onde a posição de condução não é das mais radicais e o seu depósito de gasolina proporciona um encaixe das pernas ideal.
Apesar desta versão S da Brutale não vir equipada com um sistema de travagem da moda, isto é, radial, os travões da Nissin comportam-se ` altura das suas performances, fornecendo uma travagem muito pronta, onde não vale a pena usar mais que 2 dedos na manete do travão da dianteira e, claro, os cabos em malha de aço não podiam faltar.
O travão traseiro também encontra-se num bom plano, mas quase nem o usamos (pelo menos eu), pois o poder de travagem dianteira é de tal forma bom, que aliado ao travão de motor quase que disapensamos o uso do traseiro. Está lá para aqueles segundos passageiros de “agonia” ou de entusiasmo a mais ;-).
Também não posso deixar de referir no excelente comportamento das suspensões em estrada e em comportamento desportivo, com uma resposta muito positiva e adequada por parte da suspensão dianteira inverida Marzochi com “barras” de 50 mm e da suspensão traseira proveniente da Sachs, mantendo a Brutale sempre na trajectória.
A secção traseira da ciclística desta MV Agusta possui uma característica inconfundível, que é o seu mono-braço oscilante em alumínio, que em nada prejudica a ciclística e confere um ar de “agressividade” e espectacularidade estética e visual ` Brutale, aliado a uma bela jante em estrela da Brembo.
E o painél? Simples, de leitura rápida e onde, na minha opinião, apenas falta a inclusão de um indicador de mudança engrenada.
Até no reforço central do guiador na mesa de direcção nos lembra que estamos sentados em cima de uma Italiana.
Mas já me esquecia.
O 2º dia do meu test-ride foi feito hoje, terça-feira, ao fim do dia onde o objectivo não foi tanto testar a mota em si, mas sim fotografar a mesma e verificar mais um ou outro aspecto técnico da mesma e onde não pude deixar de verificar o olhar de curiosidade e admiração de algumas pessoas que viram esta mota, em que algumas delas ficam simplesmente boquiabertos ou de olhos “arregalados”, quer seja com a beleza desta, quer seja com o som emitido, ou mesmo o indíviduo que ia em cima dela ;-).
Meus amigos, em jeito de conclusão, este foi o MEU test-ride ` MV Agusta Brutale 910S, que simplesmente adorei, delirei, deliciei-me, consolei-me e que se pudesse voltava a repetir muitas mais vezes.
É uma mota simplesmente espectacular no verdadeiro sentido da palavra, cheia de pormenores constructivos interessantes e de componentes de alta qualidade que a tornam num produto único, exótico e exclusivo e apenas acessível a alguns sortudos.
É puro prazer em 2 rodas, onde o seu motor é um autêntico “sex bomb” e a sua ciclística digna de “alta costura” Italina.
Fico a imaginar de como será o comportamento da Brutale 910R???
Bem, vou ter que continuar a sonhar com esta…
Foi um sonho realizado e o meu muito obrigado ` MotoMais e ` sua equipa pela oportunidade concedida, quer para o meu enriquecimento/prazer pessoal, quer para o enriquecimento deste NOSSO espaço.
Boas curvas! ![]()










































































































































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